BUENOSAIRES
Eles têm um “Boca Junior”, um Lionel, uma réplica do Caminito, um estádio decorado com craques argentinos, uma vendedora de empanadas e uma professora de castelhano. Muitos torcem ardentemente pela Celeste na Copa do Mundo. São os habitantes do pequeno município de Buenos Aires, antigo Jacu, na Zona da Mata pernambucana, a 79 km de Recife.
O documentário BuenosAires, de Tuca Siqueira (Amores de Chumbo, Mesa Vermelha), faz um simpático retrato de cidade com um tanto da verve paródica presente em filmes de Pernambuco como Recife Frio e o recente Os Arcos Dourados de Olinda. Circulando entre pessoas, eventos e fiapos de histórias, BuenosAires expõe a dualidade que se manifesta no lugar. A rivalidade característica com os hermanos e uma admiração abstrata pela capital portenha se misturam em tom de joça.
O futebol, a arte popular e o Carnaval são os veículos dessa curiosa gaiatice identitária. Os dançarinos do Maracatu Estrela Dourada, o escultor de imagens sacras que gostaria de ser roqueiro britânico, o comerciante que criou o clube Boca Junior e o coveiro que faz um tour pelas “catacumbas” coloridas do cemitério são alguns personagens de destaque.
O filme, narrado em espanhol, passeia pelas bordas da ficção ao trocar o flagrante pela cena preparada e bem composta na fotografia de Roberto Iuri. Não chega a ser um documentário encenado, mas passa perto. Faltou um salto de arrojo no trânsito entre as duas cidades para ser um filme especial.
Durante a conversa online do único morador argentino com um amigo de Buenos Aires, fica explicitada a solitária semelhança real entre a cidadezinha que vive da cana de açúcar e a terra de Maradona: a onipresença dos mosquitos.
>> BuenosAires está nos cinemas.





Não conhecia essa história (com H) muito bom tema, né?
Esses pernambucanos mandam bem!