Cuenca vivo ou morto

Transformar a própria vida em aventura policial-literária é um fetiche entre escritores contemporâneos. Ricardo Lísias é um deles, com seu folhetim sobre o Delegado Tobias, que até já lhe causou transtornos legais. Outro é João Paulo Cuenca, que transformou em livro (“Descobri que Estava Morto) e filme (A Morte de J. P. Cuenca) a investigação em torno de um fato real: em 2008, um atestado de óbito foi emitido em seu nome.

Cuenca estreia no cinema simultaneamente como roteirista, diretor e ator desse filme-labirinto ambientado nas ruas e prédios do Centro do Rio. Ele procura a identidade real do homem que morreu com seu nome e a misteriosa mulher que teria testemunhado o óbito. Em lugar de recobrar sua identidade roubada, Cuenca parece mais interessado em experimentar a vida (ou a morte) do outro. Consulta detetives e um ex-delegado, faz uma hilária visita a um agente funerário e acaba sendo sugado pela experiência da alteridade. Enquanto Kiko Goifman, em 33, usava um modelo de filme assemelhado para sair em busca da história de seu nascimento e identificar sua mãe biológica, Cuenca parte à procura de sua suposta morte.

Da mesma forma que realidade e invenção se imiscuem no projeto do autor, o filme mescla falso documentário e autoficção. Cuenca trafega pelas várias vias da fantasia ficcional – da conversa com o editor Paulo Roberto Pires ao transe carnavalesco à moda de “A Lira do Delírio”, passando por um sonho fúnebre herdeiro de “Morangos Silvestres”. Afora a atriz Ana Claudia Cavalcanti, todos os demais personagens vivem seus próprios papéis, inseridos na trama através de diálogos mais ou menos improvisados, que Cuenca se limita a provocar dentro da cena com seu semblante de Buster Keaton. A MORTE DE J. P. CUENCA, sem ser um caso clássico de adaptação, é um curioso exercício de trânsito da imaginação literária para o ambiente cinematográfico.

Veja o trailer 

2 comentários sobre “Cuenca vivo ou morto

  1. Curioso pra ver, mas só em horário único, tarde da note, tá complicado. Talvez leia o livro, rs rs rs

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