De Mãos Livres

Taí um filme que podia ter sido feito no Brasil. Aliás, já foi, e era bem superior. O documentário Entre a Luz e a Sombra, de Luciana Burlamaqui, acompanhava a complexa história de amor entre a atriz Sofia Bisilliat e um presidiário com quem ela trabalhava no Carandiru. A francesa Brigitte Sy, aqui estreando no longa-metragem, viveu ela própria experiência semelhante à de Sofia enquanto escrevia um roteiro a partir da vida de um grupo de detentos. De Mãos Livres (Les Mains Libres) é a versão dramatizada desses fatos.

A natureza pouco comum do relacionamento entre a cineasta e o presidiário, restrito a rápidos cochichos e toques clandestinos, é um desafio para qualquer roteirista. Brigitte se sai relativamente bem, destacando primeiro as oscilações entre representação e sentimentos reais, depois as peripécias de um amor aparentemente condenado ao fracasso. Se não há grandes lances a esperar, há pelo menos uma direção de atores bastante interessante a observar. Sobretudo no que diz respeito ao trabalho das mãos, dos gestos que tentam desesperadamente ampliar o pouco que as palavras podem exprimir no ambiente carcerário. A direção é tão boa que chega a ser inconveniente quando os presidiários têm que atuar para o filme-dentro-do-filme e o fazem com precisão implausível.

A sequência final, perfeita representação da espera e da ansiedade, é outro discreto atrativo que justifica ver De Mãos Livres.

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