Cor da Pele: Mel

Festival do Rio

Desenho de identidade

O filme de Laurent Boileau e Jung não traz nenhum avanço para a junção entre documentário e animação. Os desenhos são até um pouco caretas, exceto nas cenas de sonho e fantasia. Ainda assim, Cor da Pele: Mel merece atenção por contar com expressividade uma história de adoção, imigração e construção identitária.

Quando criança, o cartunista Jung foi deixado num orfanato em Seul e adotado por uma família belga. Tomou caminho semelhante ao de outras 200.000 crianças coreanas que foram adotadas por famílias ocidentais após a separação das Coreias do Norte e do Sul, em 1948. Jung cresceu com pais e irmãos adotivos belgas. Só aos 42 anos resolveu voltar e ajustar contas com a terra natal. Foi quando decidiu realizar o filme.

Ele e o codiretor Boileau montam em continuidade filmes domésticos com cenas documentais e animação, que é o elemento preponderante. Nada inovador, mas muito eficiente do ponto de vista narrativo. O que mais chama atenção é a aparente honestidade do autor em não dourar a pílula de sua formação como adolescente. Ele roubava, vandalizava e se apaixonou pela irmã adotiva. Sofreu e fez sofrer. Renegou suas origens a ponto de preferir “ser” japonês. O filme dimensiona as dificuldades de ser um asiático na Europa, especialmente quando o preconceito se introjeta na própria vítima.

O roteiro deixa uma impressão de insuficiência ao final, quando uma conclusão de cunho sentimental parece chegar para resolver todos os problemas um tanto artificialmente. Mas, até ali, é um belo filme.

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