Dia do Documentário

Amanhã (domingo) será comemorado pela primeira vez no Brasil o Dia do Documentário. A criação da data partiu da Associação Brasileira de Documentaristas, entidade que desde 1973 reúne cineastas em torno das questões do curta-metragem e do documentário. Após uma discussão com os núcleos regionais, escolheu-se o 7 de agosto, data de nascimento de Olney São Paulo. Veja a nota da ABD.

Olney não foi um documentarista puro como Vladimir Carvalho ou João Moreira Salles, por exemplo. Seus longas mais conhecidos são os ficcionais Grito da Terra e O Forte. Ele costuma ser lembrado, antes de mais nada, por Manhã Cinzenta, um misto de doc e fic que foi proibido na ditadura militar, provocou a prisão de Olney e lhe acarretou sequelas que levariam a sua morte prematura em 1978, aos 41 anos. A jornalista Ângela José contou muito bem sua história no livro Olney São Paulo e a Peleja do Cinema Sertanejo (Quartet, São Paulo, 1999). Entre seus vários curtas documentais destacam-se o clássico Sob o Ditame de Rude Almajesto, sobre as previsões de chuva no sertão nordestino, e os premiados Dia de Erê e Pinto Vem Aí.

Olney foi escolhido principalmente por sua história de resistência ao estado de exceção, do qual Manhã Cinzenta é um símbolo (veja o filme no Youtube). A comemoração do Dia do Documentário coincide, em tempo e tema, com as atividades do movimento Censura Não, em protesto contra o precedente aberto pela interdição de A Serbian Film. O caso de Manhã Cinzenta foi um dos mais dramáticos do gênero, como se pode ver pelo dossiê reunido no projeto Memória da Censura no Cinema Brasileiro 1964-1988.

Mas seria bem interessante que o Dia do Doc não se restringisse apenas à memória política. O cinema documental é um universo bem maior que isso. Há uma programação de exibições previstas para domingo, organizadas pelas ABDs de diversos estados. Se a data pegar mesmo, e espero que pegue, caberá mobilizar as cadeias exibidoras para que elas se unam à celebração, exibindo no dia 7 de agosto pelo menos uma sessão de documentário brasileiro em suas salas. Docs de vários gêneros, com ingressos a 1 real. Assim teríamos, literalmente, o Cinema do Real.

A ABDeC-RJ acaba de divulgar um clipe sobre o lançamento do Dia do Documentário no Rio. Veja abaixo:

 

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