Mãos à obra, desajustes de sobra

ENZO no streaming

Na tradição de jovens desajustados no cinema, Enzo faz uma modesta contribuição. O personagem-título é um garoto de 16 anos, crescido numa família burguesa de La Ciotat, que não se adapta ao sistema escolar, nem ao modo de vida de seus pais, professor e engenheira. Deixa a escola e se emprega como pedreiro em obras da construção civil. Mas nem ali Enzo encontra o seu lugar.

O roteiro original foi criado por Laurent Cantet, um cultor do tema do trabalho no cinema francês (Recursos Humanos, A Agenda), juntamente com seu parceiro de longa data Robin Campillo (120 Batimentos por Minuto). Com a morte de Cantet em 2024, Campillo assumiu a direção do projeto.

As mãos feridas pelo trabalho na obra significam pouco diante do mal-estar de Enzo com o mundo. Isso parece mudar quando ele intensifica a amizade com Vlad, um operário ucraniano carismático que o ajuda na adaptação ao serviço. Nesse ponto, o filme abre um subtexto sobre os imigrantes ucranianos que se sentem (ou não) compelidos a voltar à terra natal para lutar contra a Rússia.

O desajuste de Enzo é de classe e de sexualidade. Uma mistura explosiva, que ele administra mal, presa de ingenuidade e de impulsos autodestrutivos. O personagem não está ali para despertar nossa empatia. Não passa muito de um riquinho mimado que não sabe o que quer, como diz seu pai. Talvez por isso o filme não avance para além de um rascunho dramático sobre a infelicidade juvenil.

A realização de Campillo é trivial, calcada numa mise-en-scène realista e valorizada pelas boas interpretações dos novatos Eloy Pohu (Enzo) e Maksym Slivinskyi (Vlad). Como os pais de Enzo estão os consagrados Pierfrancesco Favino e Élodie Bouchez.

>> Enzo está nas plataformas Prime Video e AppleTV.     

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