Chico Diaz, ouro em Ouro Preto

Chico Diaz pintor

Está começando hoje (quarta, 23/6) a 16a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, a ser realizada online até 28 de junho com a temática “Memórias entre diferentes tempos” e destaque para a década de 1990. Além de extensa programação, que pode ser conferida no site oficial, o evento vai homenagear Chico Diaz, um dos talentos centrais da teledramaturgia e do cinema nas últimas décadas.

Minha admiração pelo trabalho e pela pessoa de Chico Diaz me faria escrever laudas e laudas. Mas prefiro aqui fazer jus à excelência do release divulgado pela CineOP a respeito do tributo ao ator, que transcrevo abaixo:

“Nascido na Cidade do México, de mãe brasileira e pai paraguaio, Chico se estabeleceu no Rio de Janeiro no fim dos anos 1960. A experiência transnacional na América Latina lhe deu, por condição e experiência, uma bagagem singular para construir uma carreira no país e no exterior. Nas últimas quatro décadas, tem sido um dos atores brasileiros que marcaram com mais ênfase o cinema de seu tempo, além de TV e teatro.

“Nosso homenageado começou no teatro no fim dos anos 1970 e, em 1982, atuou em seu primeiro filme, ‘O Sonho não Acabou’, de Sérgio Rezende. Ele estreia no cinema no ano posterior ao maior êxito de ocupação de mercado da Embrafilme, e é quando começa uma crise que anunciava mudanças no mercado local. Por isso, seus primeiros filmes soam como, ao mesmo tempo, o início e o ocaso de uma geração”, destacam os curadores Francis Vogner dos Reis e Cleber Eduardo.

O ator em “A Lua Vem da Ásia”

Desde “O Sonho não Acabou” Chico Diaz trabalhou com cineastas como Cacá Diegues (“Quilombo”), Jorge Durán (“A Cor do seu Destino”), Walter Lima Júnior (“Chico Rei” e “Inocência”), Tizuka Yamazaki (“Parahyba Mulher Macho”), Zelito Viana (“Avaeté”), Rosemberg Cariry (“Corisco e Dadá”), Ruy Guerra (“A Bela Palomera”), Bruno Barreto (“Gabriela”), entre outros.

“Seu rosto de traços fortes ajuda a delinear um estilo, marcado por uma vocalização singular, grave e flexível, modulada por performances versáteis, o que impõe uma qualidade intensa de presença”, destacam os curadores. “É evidente que seu processo é ao mesmo tempo sensível e minucioso, e também de uma inteligência rara”, afirma a curadoria da Temática Histórica.

Em entrevista à Universo Produção especialmente produzida para compor a homenagem – e que será publicada no catálogo da CineOP -, Chico Diaz relembrou toda a sua trajetória e apontou o cinema como o ambiente que o projetou nacionalmente, a ponto de dar-lhe autonomia em seus caminhos profissionais. “Claro que já havia um fazer poético, uma forma de eu ver a vida que se cristalizaria de alguma forma, e isso veio a partir do cinema”, disse ele.

Na conversa com o curador Francis Vogner, Chico falou de como se aproxima dos papéis que assume. “É preciso ter um canal de afeto e de amor muito grande pelo ser que você vai representar. Você tem que procurar uma divindade em cada um deles. Talvez a minha trajetória se deva a querer aprender com o entorno que me cerca, e é importante se colocar de uma forma justa e adequada para que o personagem esteja conforme o momento histórico, geográfico e o que aquele povo realmente é”.

Em relação à década escolhida para as reflexões desse ano na CineOP, o ator reconheceu o impacto na sua carreira. “O começo dos anos 90 foi quando tive os primeiros sinais de que eu estava no caminho certo. Quando veio a Retomada e esses filmes vêm à tona, eu também vim à tona, num momento em que estava fora do panorama da mídia muito forte (a televisão). Aquela solidão, aquele abandono, aquele silêncio que levei por tanto tempo estavam construindo algumas capacidades e potências de decodificação para os personagens”, afirmou.

MOSTRA HOMENAGEM CHICO DIAZ

A Mostra Homenagem, dedicada a trabalhos com a presença de Chico Diaz, contará com a exibição dos longas “A Cor do seu Destino” (Jorge Durán, 1986), “Corisco e Dadá” (Rosemberg Cariry, 1996), “Os Matadores” (Beto Brant, 1997), “Amarelo Manga” (Cláudio Assis, 2002), “Praça Saens Peña” (Vinicius Reis, 2008); dos curtas “De Sentinela” (Katia Maciel, 1993), “Cachaça” (Adelina Pontual, 1995), “Quem Você mais Deseja” (André Sturm e Silvia Rocha Campos, 2005); além do longa português “O Ano da Morte de Ricardo Reis” (João Botelho, 2020) – que será o Filme de Abertura do evento no dia 23 de junho (leia aqui minha resenha desse filme). Será exibida ainda a peça de teatro “A Lua vem da Ásia”, adaptação do próprio Chico para o romance de Walter Campos de Carvalho e que teve sua primeira encenação em 2011.

A CineOP promove também o debate “O percurso de Chico Diaz em quatro décadas”, com a participação do ator e do curador Francis Vogner dos Reis, com mediação da apresentadora Simone Zuccolotto. O tema será o percurso do ator e questões sobre as diferenças de processos de criação e de modos de produção entre os distintos momentos históricos de sua trajetória e as mudanças nos processos de construção como ator. Ele participa ainda de outra mesa, “Girassol Vermelho – Um filme em processo”, que vai tratar desse trabalho inédito e em finalização do cineasta mineiro Éder Santos, com trechos a serem exibidos na programação do evento.”

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