Do Alabama à Casa Branca

James Hood e Vivian Malone em "Crise"

James Hood e Vivian Malone em "Crise"

Em 1963, o fedelho Barack Hussein Obama ainda aprendia a andar na casa dos seus pais, no Havaí. Longe dali, na capital do Alabama, sul dos EUA, dois estudantes negros abriam as últimas portas para que um dia o jovem Barack entrasse nas Universidades de Columbia e Harvard.

Vivian Malone e James Hood não cederam às pressões e decidiram entrar para a Universidade do Alabama, a última a aceitar a determinação federal de integrar brancos e negros. O governador George Wallace, um segregacionista de quatro costados, prometeu impedir pessoalmente a entrada de Vivian e James na sala de aula. O assunto foi parar na mesa do presidente John F. Kennedy e de seu Procurador de Justiça, Robert Kennedy. Estava aberta uma das grandes crises de seu mandato.

Os dias decisivos desse episódio foram registrados por Robert Drew e sua equipe no doc Crise (Crisis: Behind a Presidential Commitment). O filme, disponível em DVD da Videofilmes, traz o melhor da utopia do cinema direto americano: o acesso privilegiado a momentos privilegiados, a câmera subordinada à movimentação das personagens, a sensação de “estar lá”, a construção dramática do plot como num filme de ficção.

Não vou aqui me estender sobre os procedimentos do doc, sempre muito interessantes. Nem sobre o desfecho do caso, que se vê no filme. Quero somente refletir sobre o valor simbólico da confrontação do Alabama para o futuro dos EUA. Numa brincadeira não desprovida de certa ambição, o aspirante a universitário James Hood comentava diante da câmera que sua meta era ser governador do Alabama. Hoje com 66 anos, Hood perdoou George Wallace e compareceu ao seu funeral em 1998. Não sei dizer se votou em Obama, mas com certeza sentiu uma ponta de orgulho pessoal quando o viu entrar na Casa Branca. 

Um comentário sobre “Do Alabama à Casa Branca

  1. Maravilhoso você falar sobre o Crisis justamente quando a segunda ‘sessão’ do É Tudo Verdade traz um filme do Drew; justamente com imagens que reverberam os filmes que ele fez com os Kennedys na década de 1960 – entre os quais, by the way, esse que você fala.

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