Festival do Rio: Azougue Nazaré

Uma batalha se dá em meio aos canaviais da Zona da Mata pernambucana. O avanço das religiões pentecostais pretende demonizar o candomblé e o maracatu, duas marcas geminadas da cultura tradicional. AZOUGUE NAZARÉ, filme de Tiago Melo produzido pela fina flor do cinema de Pernambuco, arma seu circo ao redor daquele embate.

São vários os subplots em torno do núcleo principal. O histriônico Valmir do Côco vive “Catita Daiana”, figurinha carimbada de um clube de maracatu. Sua mulher, evangélica, acredita que Deus a indicou para gerar um filho do pastor Barachinha, antigo mestre do folguedo convertido à Bíblia. É daí que o filme retira sua graça e faz os melhores insights sobre o choque de mentalidades que abala a mítica Nazaré da Mata.

Pena que os demais blocos dramáticos não se desenvolvam a contento. Há adultérios, querelas familiares, desafios cantados (as “sambadas”, inclusive pelo WhatsApp), preparativos para o carnaval, um pai de santo perseguido pelos evangélicos… Mas nada disso consegue se afirmar como trama paralela, limitando-se a flashes descontínuos. Ainda mais desconexa ficou a ação de cinco “caboclos de lança” que assumem a forma de entidades superpoderosas e espalham suas centelhas pelo canavial.

É provável que os iniciados na mitologia do maracatu rural e seu sincretismo religioso tirem melhor proveito de algumas referências mais cifradas. Para os demais, além do divertido mote central, resta o colorido efusivo das roupas e adereços, além da simpatia dos atores naturais, quase todos vindos da cena folclórica local.

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