Mistérios da audição

Em MEMÓRIA, Apichatpong Weerasethakul quer nos fazer considerar os sons tanto ou mais que as imagens. Algo que talvez devêssemos fazer em todos os seus filmes.

Annie, gravidez e solidão

Baseado na experiência real de um aborto ilegal na França dos anos 1960, O ACONTECIMENTO é um filme duro e compacto, situado no passado mas que fala diretamente ao presente.

Arte visceral, ao pé da letra

CRIMES DO FUTURO sugere conversas sobre arte contemporânea, neurociência e novas fronteiras da sexualidade, mas o que prevalece é a mera excentricidade, o jogo lúdico e irônico com a ideia de uma arte extrema para a hipótese de uma vida extrema.

Pornografia social

Pela caricatura, através de um véu de sarcasmo, o romeno MÁ SORTE NO SEXO OU PORNÔ ACIDENTAL realça o caráter de uma sociedade, esta sim, pornográfica.

Foda-se

O espertíssimo MEU NOME É BAGDÁ faz a crônica descontínua de um certo ambiente suburbano paulista, com sua juventude a bordo de uma estética própria, vibrante e cool ao mesmo tempo.

O amor nos tempos da epidemia

OS PRIMEIROS SOLDADOS fala lindamente da busca de um entendimento mais transcendente da Aids nos anos 1980 e da sobrevivência do amor. Afinal, com toda a tristeza daquele momento, dava ou não pra ser feliz?

A piscina pode esperar

A FELICIDADE DAS COISAS. É preciso relevar algumas coisas para apreciar a beleza sutil dessa crônica sobre humildes sonhos de consumo e microepisódios de vidas mais que comuns.

O infiel da balança

Um roteiro brilhante e um Javier Bardem diabólico fazem de O BOM PATRÃO uma ilustração cortante e bem-humorada do pensamento empresarial médio.

Sempre no mesmo lugar

Um pouco de auto-ajuda, um tanto de buddy movie, um bocado de criança-prodígio – e SEMPRE EM FRENTE vai seguindo para seu rumo incerto.

Afrofuturismo à brasileira

Lázaro Ramos mobiliza ícones importantes em MEDIDA PROVISÓRIA e leva à tela uma hipótese fértil. Pena que não teve mão firme para torná-la consistente, nem cuidado para driblar suas armadilhas.

Bella, garota hardcore

Pretensa radiografia de uma indústria machista e grosseira, PLEASURE apresenta uma dramaturgia tão rala quanto a de filmes pornôs que pretendem contar uma historinha.