Ubuweb, a um passo da utopia

Ubuweb

 

 

 

Você provavelmente já topou com o Ubuweb. Mas já parou para pensar nele?

O Ubuweb é um site criado em 1996 pelo poeta estadunidense Kenneth Goldsmith para disponibilizar poesia sonora, escrita e visual. Poemas, textos, filmes e áudio são incorporados sem autorização dos autores, com base no pressuposto de que as obras são de vanguarda e não têm potencial comercial.

Mas como isso é decidido? O próprio Ubuweb explica: se o trabalho está fora de circulação comercial, eles uploadam numa boa. Se está circulando a um preço tido como alto demais, arriscam oferecer de graça no site. Mas se a obra está sendo comercializada a um preço considerado justo, eles não tocam. Se qualquer artista pede para retirar seus trabalhos, isto é feito imediatamente.

“Fala a verdade, se tivéssemos que pegar autorização de todo mundo no Ubuweb, não haveria Ubuweb”, afirmam candidamente os editores no seu FAQ.  

Pirataria? Pode ser, mas muito simpática e politicamente correta. Tudo é muito claro e honesto, num ambiente de cultura compartilhada e gift economy (ninguém põe a mão em dinheiro, nada é vendido ou comprado). Tanto que a maioria dos artistas fica feliz de encontrar suas criações no site, e muitos oferecem obras para inclusão.  

O acervo de filmes do Ubuweb é um imenso céu estrelado. De Beckett a Beuys, de Godard a Gary Hill, de Mekas a Mishima, são centenas de obras de artistas do primeiro time da vanguarda internacional de várias épocas.

A utopia de um mundo sem copyright fica mais perto com iniciativas como essa. 

4 comentários sobre “Ubuweb, a um passo da utopia

  1. Recomendo, entre outras jóias d’Ubu: “Chant d’amour” dirigido pelo escritor Jean Genet em 1950; e “Film”, escrito e co-dirigido pelo Samuel Beckett com o Buster Keaton, de 1964 (acho). E, mudando de assunto mas ficando no mesmo: em vários países do mundo já se registraram partidos políticos a favor da internet livre forever e for all. É o Partido Pirata da Suécia e suas filiais surgindo na França e na Alemanha. Ou seja, no mundo civilizado, boa parte dele, pelo menos. Enquanto isso, na Inglaterra, querem cassar acesso à web em quem baixar música ilegalmente. Palhaçada. Não vai pegar. E esses partidos vão proliferar. Logo logo vai surgir um por aqui. E, se for pra valer, será bemvindo. Todo poder ao consumidor. A indústria de disco acabou, agora se compra faixa a faixa. A de cinema vai pelo mesmo caminho. E a de livros também será atingida. Jornais em papel já não vendem anda. Não tem volta, é daqui pra frente. Mesmo que nisso se perca também coisa boa, o papo nos bares depois do filme, a descoberta do lado B do disco de sucesso, etc. Talvez voltemos ao tempo anterior a 1910, quando surgiram as primeiras leis do copyright, o autor era remunerado antes da venda e por uma quantia fixa. Se a quantia for boa, é um caso a se pensar. Só quem é contra é quem não é criador – são as editoras, as gravadoras, as distribuidoras. As dinossauras que agonizam. Mas não sou tão polianamente otimista: o que vai vir também traz (novos) problemas para o consumidor. Exemplo: como acessar as novidades, se os produtos vão ser jogados na web sem uma divulgação, uma distribuição internacional, tudo home made e independente, e aos milhares e ao mesmo tempo, e sem resenhas para filtrar já que ninguém mais lê jornal ou confia neles?

    • João, acho que a filtragem/seleção/recomendações vão continuar existindo dentro da própria rede, através dos blogs, redes sociais etc. Hoje o Twitter já decide o destino de filmes nos EUA. O caminho é esse: tudo na grande rede.

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