Vigília

Eu temia cada noite
Odiava as madrugadas
Vou contar como é que foi te
Perder nas horas caladas

Quando dormias
Para onde viajavas?
Com quem fugias?
Quais os livros que levavas?

Em pleno sonho
Certamente me esquecias
Do léu da fronha
Sei lá quando voltarias

No sono fundo
Em que camas te deitavas?
Nesse outro mundo
Que carinhos partilhavas?

Tão relaxada
O meu nome ainda sabias?
No vão do nada
Que segredos dividias?

O corpo em concha
Em que mares te afogavas?
Nessa avalancha
Em que braços te salvavas?

E na hora em que enfim acordavas
Teu sorriso era só um disfarce
Pois teu beijo cheirava a aventura
Teu cabelo a tentar arrumar-se
Era a prova da descompostura

E eu passava o dia amuado
À espera de um tempo de paz
Em que por um motivo encantado
Não quisesses dormir nunca mais.

7 comentários sobre “Vigília

  1. Fazendo crítica, Carlinhos poetiza;
    poetizando, virá, por certo,
    o parceiro músico de que precisa!

    abrs,

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