Churchill em visão estreita

Em matéria de decisões difíceis durante a II Guerra Mundial, CHURCHILL é o exato oposto de “Dunkirk”. Se no filme de Christopher Nolan só havia ação, como se esta praticamente independesse dos homens e de seus pensamentos, em CHURCHILL não se ouve um tiro nem se vê um equipamento bélico, mas apenas homens discutindo nos bastidores. Se “Dunkirk” enfocava uma derrota e o resgate de centenas de milhares de soldados, o filme de Jonathan Teplitzky trata de conversações sobre uma invasão heroica para salvar a Europa. Enquanto Nolan fez um blockbuster, Teplitzky realizou um pequeno filme de câmara.

Por fim, se Nolan excluiu Winston Churchill do seu filme, deixando apenas um trecho do seu discurso na cena final, Teplitzky e o roteirista Alex von Tunzelmann mantêm o Primeiro-Ministro inglês no centro do quadro da primeira à última cena. A interpretação de Brian Cox é o melhor (ou talvez o único) trunfo do filme.

O IMDB está cheio de comentários de ingleses indignados com esse retrato de um Churchill vacilante, temeroso de que o desembarque dos aliados em 1944 repetisse a tragédia da Campanha de Gallipoli na I Guerra, quando os britânicos e seus aliados sofreram mais de 200.000 baixas. A culpa de Churchill toma a forma de um mar de sangue na sequência de abertura.

Dali em diante, não há muito mais o que esperar. O ministro entra em choque com todos ao seu redor por não confiar nos planos da Operação Overlord. As discussões com o marechal Jan Smuts e os generais Eisenhower e Montgomery se replicam na intimidade com a mulher Clementine (Miranda Richardson), com quem parece haver uma guerra particular. Que responsabilidades assumir, o que dizer nos discursos, a quem se curvar, que mensagem passar para seus subordinados e a população… São os dilemas que Churchill vai viver entre baforadas de charuto.

O assunto fica refém de um círculo limitado de ideias, o que não oferece grandes atrativos. O mais problemático, no entanto, são as soluções melodramáticas encontradas para tirar Churchill do seu impasse diante das manobras inevitáveis na véspera do Dia-D. A esposa e uma humilde secretária subitamente ganham papel emotivo decisivo para projetar o grande homem da hesitação ao heroísmo, ainda que aparente. Em vários sentidos, Churchill merecia melhor tratamento.

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