Minha linda lavanderia

COMO É CRUEL VIVER ASSIM

O gênero da comédia de sequestro talvez já não tenha grandes novidades a apresentar, mas, quando a coisa é bem engendrada, ainda diverte de montão. É o caso de COMO É CRUEL VIVER ASSIM, escrita pelo craque Fernando Ceylão e  dirigida com esmero por Julia Rezende. O esquema lembra um pouco o de Trapaceiros, de Woody Allen, trocando-se a loja de cookies pela lavanderia de Clívia (Fabiula Nascimento). Ali é onde seu companheiro (Marcelo Valle), um típico perdedor à espera da grande chance, resolve organizar o sequestro de um ricaço.

A convocação de parceiros – um primo desastrado (Silvio Guindane), um mafioso (Paulo Miklos) e um ladrão experiente (Milhem Cortaz), ex de Clívia – providencia os lances de humor que conduzem bem a trama do início ao fim. A inadequação dos tipos à tarefa almejada, assim como as desconfianças mútuas, são desenvolvidas em situações velozes e diálogos hilariantes. Mesmo as tiradas mais singelas são ditas com tanta propriedade que arrancam um riso temperado pela afetividade.

Ao redor dos demais personagens, o casal Clívia-Vladimir ganha nossa simpatia imediata com a ingenuidade malandra dela e a carência de auto-estima dele. O ritmo é impecável, tanto pela destreza dos atores quanto pela agilidade da montagem de Maria Rezende. Eis uma comédia que destoa da vulgaridade e improvisação dominantes no cinema brasileiro corrente e se destaca pela concepção e realização inteligentes.

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