Cinderela do Azerbaijão

DE QUEM É O SUTIÃ?

A crer na comédia DE QUEM É O SUTIÃ? (The Bra), as mulheres do Azerbaijão são todas lindas e adoram sutiãs enormes, talvez típicos do Leste europeu. Um deles, estendido para secar na linha férrea que corta um subúrbio de Baku, fica preso na locomotiva e dá início a uma nova versão da Cinderela, dessa vez sem um príncipe encantado. O veterano maquinista está se aposentando e, um tanto por senso de dever, outro tanto por um fetiche de homem solitário, resolve procurar a dona da peça.

Os mais idosos aqui talvez se lembrem dos filmes do holandês Jos Stelling (O Ilusionista, O Homem da Linha), contos absurdos narrados sem diálogos. O diretor alemão Veit Helmer também abre mão das falas, embora, ao contrário de Stelling, não crie uma realidade paralela. Seus personagens são gente comum vivendo em ambiente realista de mulheres submetidas a maridos possessivos. A exceção está no aprendiz de maquinista, interpretado com veia clownesca por Denis Lavant.

A procura do busto que se enquadre no tal sutiã azul desperta reações ora de repúdio, ora de fascinação por um objeto de desejo. Helmer cria algumas gags divertidas em torno da sedução e tira bom partido do cenário natural, mas a graça de sua ideia não se sustenta por muito tempo, caindo na repetição e na obviedade. Quando o trem passava pela enésima vez pela rua estreita do bairro e o maquinista batia na enésima porta, eu já não estava mais interessado em saber a quem, afinal, pertencia a avantajada lingerie.

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