A galera do cinema abrange diretores, produtores, pesquisadores, curadores, programadores… E também figuras como Beth Formaggini, que acumula todos esses talentos com a garra de uma locomotiva cinematográfica. Um pouco do seu trabalho estará reunido na mostra Nobreza Popular – O Cinema de Beth Formaggini, de 23 a 30 de maio no Centro Nacional do Folclore e Cultura Popular, no Rio de Janeiro.
Formada em História com especialização em documentários na Universidade de Roma, ex-presidente da Associação Brasileira de Documentaristas, Beth já emprestou seu dinamismo em colaborações com Eduardo Coutinho (diretora de produção de Babilônia 2000, Edifício Master e Peões), Walter Lima Jr., Silvio Da-Rin, Lírio Ferreira, Breno Silveira, Ricardo Miranda e Sérgio Goldenberg, entre outros.
Em matéria de curadorias, é possível encontrá-la selecionando e animando a programação do MST no Armazém do Campo, no Rio, e no Cine Elza, em São Paulo. Em outros momentos, já organizou mostras do Globo Repórter no festival É Tudo Verdade, de Coutinho no Dokanema de Moçambique e de Walter Lima Jr. no CCBB.
Como diretora de documentários, Beth tem trilhado diversas searas entre a política, a memória histórica, a etnografia popular, a mídia, a música e o próprio cinema. Sempre com rigor de pesquisa e sensibilidade na hora de dar forma audiovisual a seus projetos. Da nova onda de documentaristas mulheres no Brasil Beth pode se considerar uma pioneira e inspiradora.
O título da mostra remete a um dos primeiros trabalhos da diretora, o belo e revelador média-metragem Nobreza Popular. Nesse filme, Beth e o codiretor Luís Felipe Sá fizeram bem mais que documentar a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos numa comunidade do Vale do Jequitinhonha (MG). Eles flagraram toda a colorida vivência da cozinha nos bastidores da festa, a música abundante e as memórias de velhos descendentes de pessoas escravizadas, que têm na tradição da congada um veículo de resistência cultural.
Seu longa-metragem mais conhecido, Memória para Uso Diário, infelizmente não está na mostra, mas sim o irresistível Xingu Cariri Caruaru Carioca, uma ode aos sopros brasileiros, onde a música já começa no título. Nessa mesma toada, a série Sopro terá os seus cinco episódios exibidos em outra jornada da mostra.
Da série Memória da Mídia serão apresentados quatro episódios: sobre a revista O Cruzeiro, a Rádio Nacional, o Globo Repórter e as rádios e TVs livres que questionam o monopólio dos meios de comunicação.
O cinema brasileiro é abordado por Beth nos documentários Apartamento 608 – Eduardo Coutinho.doc, gravado nos bastidores das filmagens de Edifício Master, Walter.doc – O Tempo é Sempre Presente, perfil de Walter Lima Jr. codirigido por Luís Felipe Sá, e Casimiro, curta produzido por Beth para os cineastas Paulo Cesar Saraceni e Mário Carneiro.
Outros curtas da programação incluem o delicioso Angeli 24 Horas, retrato sem filtro do cartunista genial (foto), e Nós Somos um Poema, que revisita, em codireção com Sérgio Sbragia, a parceria de Pixinguinha com Vinicius de Moraes para a trilha sonora do filme Sol Sobre a Lama, de Alex Viany. E ainda Cidades Invisíveis, sobre quatro cidades extintas no estado do Rio de Janeiro.
Embora a mostra focalize especificamente os filmes de Beth ligados à cultura, não faltou o petardo político que é Pastor Claudio, confissão estarrecedora de um algoz da ditadura civil-militar. A programação se completa com sete debates pós-sessão.
>> A mostra Nobreza Popular – o Cinema de Beth Formaggini acontece de 23 a 30 de maio no Centro Nacional do Folclore e Cultura Popular (Rua do Catete, 179) e nos jardins do Museu da República (Rua do Catete, 153).
>> Consulte a programação aqui.
Trailer impactante de Pastor Claudio:





