O affair Frodon

Os brios dos cineastas brasileiros foram atingidos esta semana por uma entrevista do crítico francês Jean-Michel Frodon à Folha de S. Paulo. Convidado para o júri da Mostra Internacional de Cinema de SP, Frodon, ex-colunista do Le Monde e ex-diretor da Cahiers du Cinéma, desancou a produção brasileira com palavras duras:  FOLHA – Como vai…

“Distrito 9” e a nova ficção

Nos cerca de 40 minutos iniciais está o que realmente me interessou em Distrito 9. Pois este é um filme que sobrevive da sua premissa: um contingente de alienígenas chega a Johanesburgo e é isolado pelos humanos numa espécie de acampamento de refugiados. O roteiro é hábil e sucinto na criação de uma metáfora não…

Yes, nós sabemos copiar

As montagens de Charles Moeller e Claudio Botelho estão conseguindo desmentir uma noção que pautou por muito tempo as discussões sobre o que seja a nossa identidade nacional: a incapacidade de copiar. Paulo Emílio Salles Gomes via nessa incapacidade o grande trunfo da chanchada. Como não tínhamos condições técnicas e artísticas de fazer filmes de…

Conta outra

Mentiras sinceras interessam, cantava Cazuza. Mentiras essenciais são o que importa, poetava Waly Salomão. Mas há mentiras que não são sinceras nem essenciais. São puras, deslavadas enganações. Elas surgem a todo momento, especialmente na mídia e na internet. Quantas vezes você não tem vontade de abrir a janela e gritar “Não! Isso é mentira!”. Compreendi que, de…

Enlatados

Orson Welles disse certa vez que o mal dos filmes é que eles são guardados em latas. “Nada que vem enlatado pode ser fresco”, explicou. O mestre precisaria agora recorrer a outra metáfora para sua crítica ao cinema massificado. Grande parte do que hoje se produz não passa por latas. Termina em fitas de vídeo, DVDs, HDs,…

Xô, microvida e metavida

Cotidiano tecnologizado, acesso imediato à informação, explosão das redes sociais… E a gente não consegue mais sair da frente do computador (ou desligar o celular). O grande desafio que se apresenta é: como selecionar? Desde que entrei no Twitter, senti a necessidade ainda maior de não sucumbir à avalanche da hipercomunicação. Para isso, vou consolidando…

Estranhos no continente

Em entrevista a Marilia Martins, o escritor mexicano Carlos Fuentes estranhou a distância dos brasileiros em relação ao idioma espanhol: “Existe hoje um intercâmbio intenso entre escritores dos países de língua espanhola, e não existe o mesmo com os brasileiros, que ficam isolados no continente latino-americano”. E se perguntava: “Por que os brasileiros não são incentivados a…

O céu segundo Bach

Meu saudoso amigo Victor Giudice (1934-1997) costumava chamar alguns músicos clássicos de “celestiais”. Bach, Mozart e Mendelsohn seriam “celestiais” por fazerem uma música que elevava o espírito e pairava acima das coisas do mundo. Eu, então, ficava imaginando quais seriam os “infernais”: Liszt, Wagner, Beethoven, talvez, em cujas obras faísca o fogo dos dramas e arde o mundo tormentoso das…

Seja jornalista, seja herói

Todo jornalista está comentando Intrigas de Estado. Não é para menos. Os personagens centrais são um profissional experimentado de jornal impresso e uma jovem blogueira do braço online da mesma empresa. Obrigados a trabalhar juntos numa matéria investigativa, eles começam com as implicâncias típicas de casal que acabará tendo um romance mais adiante. Mas, felizmente,…

Enfim, Neverland

As agências internacionais estão confirmando: Michael Jackson morreu esta tarde. Seria muito dizer que uma era está acabando? Ou desaparece apenas o signo que marcou uma nova era?  MJ foi o ícone mais acabado da era do simulacro completo. Foi preto e branco ao mesmo tempo, homem e mulher, gente e máquina, adulto e criança. A ambiguidade…

One way

Uma bela e simples declaração de amor: “You go your way I go your way too.” Leonard Cohen (CD The Book of Longing, de Philip Glass e Leonard Cohen)

Marker disse

Duas das melhores frases que ouvi ultimamente numa sala escura foram em filmes de Chris Marker, na recente mostra do CCBB-Rio: “Os japoneses adoram cortar coisas. E quando não têm mais o que cortar, cortam a si mesmos.”   (Vive la Baleine) “O passado é como o estrangeiro: não é questão de distância, mas de cruzar…