Faz-se a luz: Storaro no Brasil

A fotografia e a projeção digitais, convenhamos, estão tornando o cinema mais feio. Primeiro, porque nem todo mundo é Ceylan (3 Macacos), que usa as novas tecnologias para aperfeiçoar sua estética. Muitas vezes, o que vemos é a rotina dos filmes rodados em DV, que não raro chegam à tela como pouco mais que borrões. Ou então as projeções da Rain, que, dependendo do ajuste do equipamento e do estado da lâmpada, são imagens escuras, lavadas, sem brilho ou contraste.

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Por essas e outras, será motivo de festa a vinda de Vittorio Storaro ao Brasil em 2010, provavelmente no segundo semestre. O grande diretor de fotografia dos mais belos filmes de Bertolucci, Coppola e Saura vai trazer ao Rio e São Paulo a sua exposição multimídia Escrever com a Luz (conheça aqui). Storaro vai fazer palestras e acompanhar uma mostra de seus principais filmes, entre os quais poderão figurar O Último Tango em Paris, Novecento, Apocalypse Now, O Fundo do Coração, Reds e Flamenco.

Pode ser um ótimo estímulo para a revalorização da beleza nas imagens de cinema em tempos de celulares e Youtube.

6 comentários sobre “Faz-se a luz: Storaro no Brasil

  1. Ótima notícia, Carlos Alberto! Aguardarei ansioso. Quem está por trás do evento?

    Com esse mesmo tema – direção de fotografia – no dia 21 de julho abro a mostra “Homenagem a Hélio Silva”, no CCBB-RJ, que segue depois para Brasília.

    abraço,
    Eduardo

  2. Onde será que vão montar a exposição no Rio? Pelo que vi no site, as fotos das exposições na Europa foram em espaços gigantescos dos quais talvez só nos aproximemos no eternamente em obras Museu Nacional de Belas-Artes.
    Estoraro é pintor de primeira, mereceria ser exposto lá. Aliás, o MNBA é que deve fazer para merecer Storaro.

  3. Quando a lenda e a realidade não coincidem, fiquemos com a lenda. Vejamos: Bertolucci teria encomendado a Storaro um amarelo-Minnelli, desenvolvido por esse diretor quando fez a biografia de Van Gogh para a MGM, em 1956. Lenda ou realidade? Tanto faz, mas tem pé e cabeça, pois antes dessa data a cor amarela era tecnicamente um tom de verde na paleta do technicolor, e foi mesmo o Minnelli que criou a tal tonalidade. Aliás esse diretor, que Godard gostava e Truffaut odiava, precisa mesmo ser reavaliado, pois o que fez de melhor não foram os célebres musicais, mas os melodramas.

    • O próprio Storaro é um filósofo da cor no cinema. São muito interessantes seus conceitos sobre luz e sombra, masculino e feminino, sol e lua, consciente e inconsciente, energia natural e artificial, tudo isso a partir de uma simbologia da luz e da cor.

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