24 City

Doc híbrido. Como no belíssimo Em Busca da Vida, neste filme Jia Zhang-Ke examina com lupa humana as grandes transformações correntes na China. A fábrica “420” de Chengdu está sendo demolida para dar lugar a um complexo de prédios modernos. Diante da câmera, velhos operários falam e cantam sobre sua relação emocional com o trabalho, traço típico do modo de vida comunista. A “420” é símbolo de uma mentalidade que vai ficando para trás. Zhang-Ke opera num campo difuso entre a nostalgia e a ironia, confrontando os veteranos com os jovens descendentes, já desligados do sonho industrial. Mais intrigante ainda é o recurso a atores para interpretarem os depoimentos mais longos, narrativos – e provavelmente inventados. Joan Chen, por exemplo, faz uma operária que costumava ser fisicamente comparada a… Joan Chen. Zhao Tao vive uma jovem comerciante que aspira instalar os pais num dos prédios novos de 24 City. Esse jogo de cena, mais os interlúdios musicais e a espantosa beleza das imagens em HD, dão ao filme um caráter híbrido, mutante, instabilizador. ♦♦♦♦

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