Teatro de Guerra

(Theatre of War)

Doc conferência. O doc de John Walter pode frustrar e/ou surpreender. Frustra quem espera um making of da montagem nova-iorquina de Mãe Coragem em 2006. É pouco e truncado o que vemos do processo. O trabalho do cenotécnico, por exemplo, é apresentado pelo ângulo marxista da mais-valia do trabalho no capitalismo. E Meryl Streep não ocupa mais de 20% do tempo de tela. OK, que fantásticos 20%! Meryl atua e canta como o maior animal cênico de nossa era. Mas o filme surpreende ao usar a atriz como gancho para um manifesto em prol do teatro épico brechtiano, misto de engajamento e distanciamento. Brecht, não Meryl, é o grande personagem. A análise que sua filha faz do depoimento do pai diante da tribuna macarthista é um primor de revelação audiovisual. Os paralelos entre a primeira montagem da peça, em 1949, e a de NY em plena guerra do Iraque procuram atualizar a relação entre arte e política, num tom mais de conferência acadêmica que de flagrante documental. Também nisso, o filme pode decepcionar ou causar admiração. Depende do que cada um espera. ♦♦

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