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Nunca fui muito fã dele, mas reconheço que José Wilker teve trabalhos memoráveis e um status de grande estrela no cinema e na televisão. Ele encarnou personagens emblemáticos da brasilidade, uns em chave irônica, outros com sentido épico. Aqueles de Os Inconfidentes, Dona Flor, Bye Bye Brasil e O Homem da Capa Preta estão entre os meus preferidos. Gosto particularmente do seu personagem em Diamante Bruto, o semidoc de Orlando Senna, em que ele fica parecido consigo mesmo, retornando depois de famoso a uma cidade do interior comparável à Juazeiro do Norte onde nasceu.

Aprecio menos a sua atuação como comentarista e gestor cinematográfico. Sua inerte passagem pela presidência da Riofilme foi um episódio a esquecer. Felizmente não é este o foco principal da Mostra José Wilker – 50 Anos de Cinema, que abre segunda-feira na Caixa Cultural-RJ. Com organização e curadoria especialmente carinhosas do seu amigo Marcelo Laffitte, o evento vai reunir 32 dos 72 filmes em que ele atuou e mais dois títulos que têm seu nome na direção: o curta 1979 – Arraes de Volta, codirigido por Lauro Escorel, e o ainda recente Giovanni Improta. Na foto acima, sua surpreendente participação em Elvis e Madona, de Laffitte.

A mostra vai lançar um livro-catálogo de 152 páginas, editado por Laffitte e Susana Schild, contendo depoimentos afetivos de quem conviveu e trabalhou com Wilker no seu meio século de cinema. “Os textos, dispostos em ordem cronológica, permitem uma narrativa temporal sobre a vida de um homem com suas virtudes e defeitos, seus amores e desamores”, antecipa o curador. Dois debates complementam a programação, que pode ser consultada no vistoso site da mostra.