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Os prêmios já recebidos por esse documentário chileno indicam que eu devo estar errado em meu desapontamento. A diretora Maite Alberdi compila momentos de vários encontros, num período de três anos, de um grupo de senhoras que se reúnem há mais de 60, desde o fim do colégio. A morte foi reduzindo as comensais até restarem apenas quatro para se deliciarem com as conversas, os doces, as tortas e as cantigas de cada mês.

E do que falam? Da evolução dos costumes, de casamento, viuvez, envelhecimento, operações de catarata, da morte, etc. Quase todas católicas conservadoras, não são desprovidas de simpatia nem de humor, mas seus assuntos são estreitos e, no ritmo da conversação descontraída, rapidamente se dissolvem como açúcar no chá. As questões importantes da história do Chile não parecem ter repercutido nelas. Não há tampouco qualquer tentativa de ampliar a reflexão para dimensões inesperadas.

A filmagem predominantemente em closes procura criar uma atmosfera de proximidade e intimidade, mas acaba caindo num certo virtuosismo de publicidade gastronômica. Entre a resignação bem-humorada e a melancolia das personagens, o filme adota para si as limitações da vida ordinária.