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O média-metragem Jornada ao Oeste, lançado em cinemas esta semana no Rio, é o mais recente opus de uma série que Tsai Ming-liang vem fazendo desde 2012 com seu ator-fetiche Lee Kang-sheng na performance de um monge tailandês que caminha super, hiperlentamente em cidades movimentadas. Desta vez, em lugar da China, o cenário é Marselha (França), o que teoricamente ampliaria o estranhamento daquela figura exótica e semi-imóvel no meio da rua. Mas os marselheses parecem em sua maioria tão absortos no cotidiano, ou tão acostumados com figuras excêntricas de várias partes do mundo, que poucos dão alguma atenção ao performer.

O aspecto documental é importante. A câmera fica num tripé sem equipe ao redor (é possível ver isso no reflexo de um ônibus que passa). As reações dos transeuntes dão o colorido às cenas e, para nós espectadores, fornecem um contraponto de movimento normal ao slow motion do monge. Pelo que sei, em cada um desses curtas ocorre alguma coisa de especial perto do final. Em Jornada ao Oeste (ao Ocidente seria mais apropriado), é o ator Denis Lavant – o Lee Kang-sheng de Leos Carax – que vai se juntar ao monge em sua morosíssima peregrinação.

Entendidos da cultura oriental verão mensagens de biscoito sobre concentração zen e condicionamento do destino. Para mim, ocidental da gema, o filme bateu como um capricho de performance art e um estudo das diversas velocidades possíveis quando se confrontam dois mundos tão díspares.