Festival do Rio: Deixa na Régua

Vai de tribal, moicano, boladão ou só o símbolo da Nike? Essas são algumas opções para quem chega aos salões de cabeleireiro masculinos da periferia do Rio. Cada corte tem um código, uma estética e uma técnica. O recado é dado em DEIXA NA RÉGUA, o novo documentário de Emilio Domingos (L.A.P.A., A Batalha do Passinho). Emilio ancora sua câmera de observação em três salões onde profissionais com mãos de tesoura fazem as cabeças dos clientes: esculpem, desenham, modelam.

Mas no fim das contas não são os cabelos que enchem de fato o filme, e sim as conversas entre cabeleireiros e clientes. Quem pensava que papo de salão era coisa de mulher precisa ver o filme para saber que estava errado. Ali fala-se de casamento, namoros, festas, sexo, bandidagem, pizza e democracia. Um ex-agente da ditadura até menciona tranquilamente os sequestros e as injeções letais que presenciou na Polícia do Exército. A maior parte do tempo, porém, é consumida com conversa fiada, jogada fora junto com os pelos caídos no chão. O filme se ressente um pouco dessa falta de assunto e de uma forma um tanto crua, talvez porque não houvesse mesmo intenção de dourar a pílula com música e outras veleidades artísticas. O enfoque etnográfico de um pequeno mundo vaidoso e vazio (os adjetivos são meus) é o que me ficou de melhor.

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