Cavídeo 24 anos e as crises de um ruivo

Cavi Borges celebra os 24 anos de sua usina de audiovisual e mostra Sonho de Rui, comédia hilária e praticamente inédita.

Símbolo de audiovisual no Rio de Janeiro já há bastante tempo, a Cavídeo comemora seus 24 anos de existência com uma grande mostra virtual a partir desta sexta-feira, 16/7. Em sua plataforma no Vimeo, estão aproximadamente 300 filmes produzidos por Cavi Borges entre curtas, médias, longas-metragens, séries, videoclipes e obras de videoarte. Tudo fica disponível gratuitamente até 1º de agosto.

Poucos produtores podem ostentar tamanha prolixidade, sobretudo se considerarmos que a Cavídeo só passou a produzir há 19 anos. Antes disso, era uma locadora cult e muito ativa na promoção de cineclubismo, festas e eventos. Aos poucos, Cavi foi estendendo seus tentáculos de empreendedorismo e generosidade às áreas de produção e distribuição, além de se tornar, ele próprio, um diretor inspirado.

O currículo do rapaz é tão extenso e qualificado que, há poucas semanas, ele foi precocemente convidado pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro para gravar seu depoimento para a posteridade. A honraria só costuma ser concedida a talentos veteranos.

Mas o Festival Cavídeo 24 Anos não é a celebração de um homem só, e sim de um coletivo informal que se agrupou em torno de Carlos Vinicius. Novos criadores e mestres consagrados, gente do centro e da periferia, intelectuais e instintivos encontraram parceria na produtora. A mostra “Mestres”, por exemplo, destaca obras produzidas pela Cavídeo para Luiz Rosemberg Filho, Sérgio Ricardo, Sylvio Lanna, Maurice Capovilla, Antonio Carlos da Fontoura, etc.

Parte da mostra, um curso de 10 aulas terá Cavi explicando como atua em todas essas áreas e como produz filmes independentes de baixo orçamento. Uma exposição presencial no Espaço Cultural Cavídeo, nas Casas Casadas, e também online vai destacar pôsteres, críticas, troféus e memorabilia desses 24 anos de intensa atividade.

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Entre os muitos títulos da mostra, comento a seguir a comédia Sonho de Rui, praticamente inédita, que me fez rir um bocado e perceber a versatilidade de Cavi como cineasta.

Um ruivo nada hollywoodiano

Uma das principais reivindicações dos ruivos é meia entrada no dermatologista.
Chuck Norris não lê livros, mas os encara até obter a informação desejada.

Essas duas piadas infames não estão em Sonho de Rui, mas outras estão. E você provavelmente vai rir quando ouvi-las da boca de Pedro Monteiro e do elenco que divide a cena com ele nessa divertida comédia de Cavi Borges e Ulisses Mattos.

Escrito por Ulisses a partir de uma ideia de Pedro, Sonho de Rui investe num mote explorado pelo ator na sua peça Os Ruivos, que fez sucesso entre 2008 e 2010. No filme, Rui é um ruivo tímido e portador de TOC, mas que, na contramão de tudo o que o caracteriza, pretende protagonizar um remake de Braddock 2: O Início da Missão, porcaria de ação estrelada pelo também ruivo Chuck Norris. Se o contraste, por si só, já é hilário, fica ainda mais engraçado com as várias visitas que Rui recebe no apartamento gigante que herdou do pai e colocou à venda para financiar o filme.

A cada vez que a campainha toca, retirando-o do seu culto ao astro hollywoodiano, pode ser um potencial comprador – ou a sua insinuante coach de inglês, ou ainda o personal trainer, a advogada, o diretor que o pressiona a conseguir a grana e começar as filmagens. Para piorar a situação, uma praga surrealista acomete os metais do apartamento de frente para o mar. Mas que ninguém mencione “ferrugem” porque o rapaz fica fora de si a qualquer referência, por mais indireta que seja, a sua condição de ruivo.

O material cômico, expresso em diálogos engenhosos, flui entre os atores e atrizes com grande facilidade e um timing impecável. O estilo de sitcom não pretende voos cinematográficos maiores, mas sustenta com muita graça os enxutos 78 minutos do filme. Chuck Norris devia se sentir orgulhoso dessa paródia por um ruivo brasileiro.

Assista aqui:

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