Olhos nos olhos de Katmandu

Meu sonho de conhecer o Tibet foi abandonado porque minhas coronárias talvez não se simpatizassem com a altitude daquelas bandas. Assim, quando, em 2005, fui pela primeira vez à Índia, tratei de esticar até o mais perto possível dos Himalaias. O Nepal era uma excelente consolação.

O gostinho de aventura oriental começava quando, no aeroporto de Délhi, embarcávamos no pequeno avião de uma companhia chamada Cosmic Air. Com a graça de Buda, chegamos intactos ao destino depois de contemplar os Himalaias e sobrevoar o belo Vale de Katmandu.

A capital nepalesa era aquilo que imaginávamos: uma velha cidade com sabor tibetano e resquícios da época em que reinou como meca de hippies, desbundados e ocidentais em busca de alguma iluminação. Tudo isso convertido agora em comércio. Ainda assim, era um lugar fervilhante de curiosidades para onde quer que se olhasse. Um paraíso para fotógrafos e filmadores.

Estávamos dez anos antes do terremoto de 2015 que pôs abaixo muitos templos e construções, principalmente da Praça Darbar, o coração da cidade e antigo centro da realeza do Nepal. Pudemos, assim, registrar as edificações originais, que remontavam ao século XVI. A praça é, na verdade, um conjunto de praças contíguas, numa das quais fica o Palácio da Kumarí, onde mora a menina periodicamente escolhida para ser reverenciada como a deusa virgem Kumarí. Em torno do antigo Palácio Real e dos diversos templos e pagodes, o povo passeia, compra, vende, repousa, reza e canta.

O Nepal é onde o budismo e o hinduísmo mais comumente se encontram e se fundem. Em Katmandu, os budistas frequentam as estupas, templos em formato abobadado e decorados com grandes olhos amendoados de Buda e varais coloridos de bandeiras de oração lung ta. Visitamos duas grandes estupas, Boudhanath e Swayambunath. Nesta última, tivemos a sorte de assistir a uma cerimônia dos monges com mantras e trompetes tibetanos.

Os hinduístas também vão às estupas, mas, quando se trata de cremar seus mortos, a preferência recai sobre outros locais. Um deles é o complexo religioso Pashupatinath, disposto à margem do rio sagrado Bagmati. Da margem oposta, podemos testemunhar em detalhes o processo de preparação e queima dos cadáveres, sempre na companhia fiel dos muitos macacos que vivem nesses templos.

Fora dos circuitos religioso e palaciano, Katmandu tem a marca típica das cidades pobres orientais. Thamel é o bairro mais pitoresco, repleto de lojas, restaurantes e vida noturna. Um emaranhado de bazares ocupa grande parte da área central com sua babilônia de comerciantes, carregadores, bicitáxis e pequenos templos apinhados de pombos.

Depois de três dias em Katmandu, fomos conhecer Patan e Bakthapur, cidades próximas que compartilham o mesmo fascínio e têm suas próprias praças Darbar. Mas essas ficarão para um próximo vídeo. Curtam aqui esses flashes de Katmandu, com os destaques assinalados a seguir. Não levem em conta a qualidade apenas mediana das imagens de MiniDV.

00:00 – Sobrevoo dos Himalaias e do Vale de Katmandu
04:13 – Praça Darbar e Palácio da Kumarí
13:52 – Hotel Hyatt Regency
15:39 – Estupa Boudhanath
24:08 – Thamel
31:00 – Templo de Pashupatinath
37:33 – Bazares
46:24 – Estupa Swayambunath e vistas aéreas da cidade.

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