“Willow” e o cinema da Macedônia do Norte

“Willow”

Muita gente não sabe sequer que existe um país chamado Macedônia do Norte, quanto mais o cinema da Macedônia do Norte. Na verdade, trata-se da velha e boa Macedônia, ex-Iugoslávia, que por uma disputa com a Grécia teve agregado o complemento “do Norte”. Entre os filmes mais conhecidos daquele país estão o documentário “Honeyland”, o curioso “Deus é Mulher e Seu Nome é Petúnia” e o cult dos anos 1990 “Antes da Chuva”, de Milcho Manchevski.

É justamente de Manchevski um dos filmes mais atraentes da mostra “Volta ao Mundo: Macedônia do Norte”, que estará na plataforma Belas Artes à la Carte de 10 a 23 de março. São sete filmes macedônios inéditos no Brasil.

WILLOW conta três histórias sobre o imperioso desejo de maternidade por parte de três mulheres. A primeira em meio aos trigais da Idade Média e as outras duas simultâneas na capital nos dias atuais.

O conto medieval está embebido nas crenças da época, envolvendo fé, ocultismo e maldição. Para que a mulher consiga engravidar, jovem casal faz um pacto com uma espécie de feiticeira e pagará caro por não cumpri-lo. Esse episódio tem um quê dostoievskiano e é narrado com um misto de dramaticidade e lirismo que caracteriza os trabalhos de Manchevski.

Passando à cena urbana, temos uma combinação de drama e comédia na história do casamento entre um taxista estéril e uma moça determinada a ser mãe. Em lugar das crendices, entra a Ciência para resolver a questão, ou pelo menos até certo ponto. Ainda assim, o pensamento mágico não deixa de estar presente, mesmo na contemporaneidade. É por aí que Manchevski conecta os dois tempos, acenando inclusive com a figura da planta do salgueiro (willow), tradicionalmente associada à proteção contra o aborto.

O terceiro episódio se conjuga com o segundo e é não só o menos trágico, como também o mais bem-sucedido como roteiro. Uma mulher se vê às voltas com a adoção de um menino dotado de sinais de autismo. Embora os três contos tenham momentos de impacto e emotividade, é nesse último que o filme chega a seu clímax. A cena do menino “dirigindo” um carro no colo da mãe é uma pequena epifania, assim como a sequência final em meio a uma festa cigana.

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