O homem que ainda não conhecemos

É Tudo Verdade – O que você faria se tivesse um pai acusado de genocídio, que viveu sempre na sombra dos segredos de estado e que você nunca viu expressar um sentimento? Talvez fizesse um documentário. Foi o que fez Carl Colby em O Homem que Ninguém Conheceu (The Man Nobody Knew).

Seu pai, William Egan (Bill) Colby, foi agente especial da CIA na Itália do pós-II Guerra e no Vietnã. Chegou a presidente da agência no governo Nixon, cargo que passaria mais adiante para George Bush pai. Durante a guerra do Vietnã foi responsável pela implantação do Programa Phoenix, que ceifou cerca de 30.000 vidas como forma de aterrorizar os vietcongues. Até mesmo nos EUA ele foi criticado. Mais tarde, foi interrogado pelo Congresso por causa dos famosos assassinatos políticos (e tentativas) perpetrados pela CIA. Ou seja, um falcão negro americano por trás de uma fisionomia impassível de burocrata católico.

No filme, Carl  pergunta-se pelo pai e ouve respostas da mãe, de jornalistas e políticos. Um misto de evocação familiar e arrazoado histórico se desenrola, calcado em massivo – e às vezes impactante – material de arquivo. As cenas do Vietnã são particularmente atrozes. Mas todo esse aparato não parece estar a serviço de uma verdadeira investigação sobre o caráter de Bill Colby. Carl faz um bom levantamento histórico, mas falha em desvendar a personalidade do pai. Ou talvez não fosse essa mesmo sua intenção, e aí o discurso em primeira pessoa serve apenas para “vender” melhor um projeto tradicional e superficial.

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