Paraná cinema

Curitiba tem uma população com alto poder aquisitivo, uma vida cultural razoavelmente intensa, bons museus, bons restaurantes, o maior festival de teatro do Brasil, uma cinemateca atuante… Mas não um festival de cinema à altura da cidade. Nem mesmo o claudicante Festival de Cinema, Vídeo e DCine, que movimentou os cinéfilos durante 10 anos, acontece mais desde 2007.

Felizmente, a carência feriu os brios de três jovens produtores culturais, que puseram de pé o projeto do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, cuja primeira edição começa na terça-feira. Antonio Júnior, Marisa Merlo e o cineasta Aly Muritiba (foto à direita) levantaram patrocínios da Volvo e de mais algumas empresas para levar 72 filmes, debates e oficinas ao Espaço Itaú de Cinema, à Cinemateca de Curitiba, ao Museu Oscar Niemeyer e ao Sesc Paço da Liberdade. Tudo com entrada franca.

Convidado pelo evento, vou acompanhar a estreia do Olhar de Cinema a partir de quarta-feira. A programação dá a partida na noite de terça com Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz, de Joel Pizzini (em cartaz no Rio, em sessões diárias às 18h no Arteplex). Outros quitutes nacionais chegarão a Curitiba nos dias subsequentes, como Sudoeste, Girimunho, As Hipermulheres, Estradeiros e Olhe para Mim de Novo. É claro que o festival servirá também de vitrine para talentos locais, como Guto Pasko, que vai exibir seu longa Iván – De Volta Para O Passado, viagem de um velho imigrante à Ucrânia natal (leia meu post sobre o filme quando ainda em processo). Heloisa Passos e Rafael Urban também têm curtas novos na mostra Mirada Paranaense.

Entre os 24 longas internacionais, há filmes de procedências tão diversas quanto Islândia, Bulgária, Iraque e Colômbia. Portugal, Alemanha e França são, porém, as maiores representações depois do Brasil. Há muitos documentários entre eles, o que sem dúvida vai atrair meu “olhar de cinema”. O cardápio se completa com uma pequena mostra de videoarte (termo que Curitiba precisa superar rapidamente) e uma retrospectiva de cinco longas de John Cassavetes.

Os realizadores brasileiros que participam das mostras competitivas Olhares Brasil e Janela Internacional vão debater seus filmes na manhã seguinte aos dias de sua exibição. Durante cinco dias, um seminário sobre “Realização Criativa” vai reunir diretores, produtores, exibidores e pesquisadores. Três oficinas serão ministradas por Evaldo Mocarzel (documentário), Hernani Heffner (linguagem cinematográfica) e Fernando Marés (roteiro). Andrea Tonacci vai integrar o júri da Janela Internacional. Eu participarei como convidado do júri da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

Saiba tudo no site do festival. Repare a maneira inteligente e prática de consultar a programação por dia, sala e mostra. A partir de quinta-feira, confira minhas impressões sobre os filmes e o evento.    

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