Tags

,

Izabel Jaguaribe é a estrela do programa Faróis do Cinema de amanhã (0h15 de terça para quarta no Canal Brasil). Ela dirigiu os documentários Paulinho da Viola – Meu Tempo é Hoje, Corpo do Rio e Sorria, Você Está na Barra. Na conversa comigo, Izabel revelou seu gosto eclético, que se formou desde a infância com as emoções de Dumbo (Disney) e se estendeu às questões existenciais de Bergman, à admiração pelos cineastas nórdicos e pelo antípoda Pedro Almodóvar. Como referências importantes no documentário, ela cita os irmãos Salles (Santiago à frente) e o Coutinho de Edifício Master.
Em seguida à entrevista, o Canal Brasil vai exibir o ótimo documentário sobre Paulinho da Viola, um perfil amável e revelador do artista.


O bobinho A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ADALINE não é tão bobinho quanto parece. Variação longínqua dos filmes de vampiro, trata da impossibilidade de envelhecer – algo supostamente tão angustiante quanto o contrário. Numa época em que se faz de tudo para não envelhecer, a hipótese de uma parada brusca dos efeitos do tempo no corpo pode tornar a vida um inferno ainda pior. Adaline não pode se apaixonar, não pode ser vista pelas mesmas pessoas por muito tempo, não pode manter a mesma identidade sob pena de virar um monstro. O filme dá o que pensar, mesmo não sendo nada além de uma delicada comédia romântica. Em alguns momentos, chegou a desafiar minha capacidade de ajustar a percepção a uma circunstância do argumento. É nos encontros de Adaline (estacionada nos 29 anos e na pele da bela Blake Lively) com a filha, que chega aos 80 nas rugas de Ellen Burstyn. Como é difícil para o cérebro aceitar uma filha 50 anos mais velha que a mãe. A inversão das aparências, o nó górdio provocado por essa representação é bastante perturbador.


ilícias fascistas, radicais islâmicos, homens-bomba, esportes radicais, rallies automobilísticos, regressão à era mecânica, estéticas heavy metal e punk, fantasias infernais… É longa a lista de ingredientes no receituário de MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA. Esse espetáculo extravagante de fogo, areia e velocidade apela à volúpia da destruição. O apocalipse foi ontem, e o que resta de terra habitável encontra-se desprovido de água, combustível e mães. Típica distopia da insuficiência, nela é preciso destruir muito para finalmente construir algo. Os corpos voando pelos ares em bolas de fogo, o incessante choque de metais, a estroboscopia flamejante, tudo aspira à animação, quase à abstração. É um triunfo de direção de arte, sem dúvida, mas como gira no óbvio, como sobrecarrega as formas enquanto esvazia o sentido. Esse filme poderia ser o Nada mais ruidoso e pirotécnico que já vi no cinema. Mas não. O que ele faz é alimentar um imaginário de direita: ódio, violência e sacrifício em nome de ideais de libertação. Pode-se até argumentar que os heróis do filme se opõem aos vilões extremistas, mas os meios e as armas que eles usam os igualam a todo o resto. O que se impõe, então, é o elogio da porrada e a projeção de um futuro hiper-selvagem.