Videoarte no cinema

A Mostra Olho Video Art Cinema – em cartaz este fim de semana no Espaço Itaú do Rio e de terça a quinta no de SP – é um luxo para quem aprecia a experimentação audiovisual. São três programas reunindo 29 obras de 10 autores de 9 países. Normalmente, elas são exibidas em museus, galerias e centros culturais, algumas vezes dentro de instalações. É o tipo de trabalho que você acaba não vendo direito porque não tem tempo em meio a outras atrações do lugar, ou porque as condições são pouco confortáveis para permanecer na duração inteira, ou ainda porque o entorno convida à dispersão. A proposta da Olho é apresentá-las na completa imersão da sala de cinema, fazer-nos de fato parar para frui-las.

A seleção de vídeos, claro, privilegia aqueles que funcionam bem na exibição unidirecional da telona. Alguns dialogam abertamente com o cinema, como o passeio da fotógrafa hitchcockiana com música bernard-hermaniana em Zoo, de Salla Tykka. Ou os hipnóticos ensaios ficcionais de Jesper Just (A Vicious Undertow e Sirens of Chrome). Outros se colocam na fronteira da videoarte com o documentário, a exemplo de The Column, de Adrian Paci, e Giant, de Salla Tykka, que enfocam, respectivamente, a confecção de uma coluna de mármore por operários chineses e as atividades de uma famosa escola de ginástica olímpica na Romênia. Há também performances magnetizantes como as brincadeiras de crianças com reflexos de sol em espelhos (Per speculum, de Adrian Paci) e o incrível plano-sequência da caminhada de um ator através do Palacio de la Moneda em Brisas, de Enrique Ramirez.

Do único autor brasileiro presente na mostra, a mineira Tamar Guimarães, A Família do Capitão Gervásio se situa também no limiar do documentário, usando inclusive uma profusão de letreiros para descrever uma cidade no interior de Goiás cuja população é majoritariamente de médiuns. O vídeo decola da realidade ao ilustrar com imagens da arquitetura de Brasília o suposto transe de uma médium em visita a “colônias astrais”.

Assisti a dois programas e pretendo ver o terceiro no domingo. Pelo que vi, já vão longe os tempos em que a videoarte se escorava demais em efeitos digitais, texturizações, etc. O foco desses trabalhos é mais centrado na experimentação narrativa e de edição, na direção de arte sofisticada e numa busca frequente dos efeitos de luz, seja ela natural ou sintética. A exibição na sala 6 do Espaço Itaú está fazendo jus à qualidade de imagem e som. Veja aqui a programação.

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