Histórias exemplares

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Lili Fialho e Kátia Lund com parte do elenco da série 

O minifestival Reimagine Rio está passando em diversas salas de cinema, coletivos e espaços culturais da cidade até o final do mês. São cinco filmes de média metragem dirigidos por Lili Fialho e Kátia Lund sobre pessoas e iniciativas que ajudaram a transformar comunidades cariocas. Todos os filmes foram realizados com a participação do grupo Cinema Nosso, misto de escola de cinema e ponto de exibição. Assisti a três deles, que ostentam um ótimo nível técnico nos quesitos de fotografia, edição sempre ágil, trilha musical contagiante e finalização de primeira. A produção é patrocinada pela ONG americana Rise Up & Care.

Não Deixe a Peteca Cair é especialmente interessante e simpático por conta dos seus personagens mirins, jogadores de badminton da comunidade do Chacrinha, em Jacarepaguá. Eles foram formados na ONG Miratus, no embalo do samba, invenção usada como ferramenta para conferir agilidade aos praticantes do esporte de raquete e peteca, ainda pouco popular no Brasil. Os criadores da Miratus, dois ex-internos da Febem, lideraram a construção de uma quadra moderna a partir de um terreno baldio e acidentado. Duas gerações já foram criadas ali, com muitas viagens, medalhas e atletas olímpicos, o esporte servindo como veículo de melhoria social e educacional de crianças e jovens. O filme conta essa história em meio a treinamentos e competições, tirando bom partido da franqueza e da graça de alguns pequenos jogadores.

Loucos Dizem que Somos começa e termina energético e performático, mas no miolo se contenta em ser um panegírico a Guti Fraga, criador e animador do Nós do Morro. Ex-alunos da ONG, hoje atores e atrizes famosos, rendem homenagem ao seu “pai” artístico através de uma edição surpresa do Campinho Show, evento semanal de tradição no Vidigal. A simples aparição de nomes como Babu Santana, Cintia Rosa e Jonathan Haagensen já comprova o poder de transformação do Nós do Morro. Guti Fraga, porém, não é apenas homenageado, mas também se faz personagem contando a história de seu trabalho. O roteiro resulta pouco homogêneo, e a preparação do show-tributo – dispositivo central – sai do foco durante boa parte do filme. Ainda assim, é um merecido reconhecimento ao guerreiro Guti.

Nosso Cinema Nosso, por sua vez, utiliza a fórmula do filme-dentro-do-filme para demonstrar os métodos de criação do Cinema Nosso. Um grupo de alunos é estimulado a inventar e realizar um filme de cinco minutos que expresse o lugar do cinema em suas vidas. A ideia não resulta muito produtiva porque o processo de criação do grupo é mostrado em pílulas muito condensadas, e o resultado passa quase despercebido. O que mais se vê é a apresentação dos personagens e os discursos habituais sobre paixão pelo cinema, perseverança, afirmação de identidade e território, etc. Kátia Lund é parte da história do Nós do Cinema, que gerou o Cinema Nosso, e por isso ganha muito tempo de tela como a diretora do filme “de fora” – ao contrário de Lili Fialho, que foge da câmera. A impressão de apadrinhamento não fica totalmente afastada.

Os outros dois filmes do festival são No Risco do Circo, no Risco da Vida, sobre o Circo Crescer e Viver, e Assó – Adorei o Jongo!, sobre o Jongo da Serrinha. Consulte o mapa de exibições dos filmes, num total de cerca de 300 sessões.

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