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Gustavo Spolidoro se virou sozinho para fazer seu longa mais recente, ERRANTE, UM FILME DE ENCONTROS, e tem compartilhado a experiência nas oficinas que intitulou “Cinema de um Homem Só”. ERRANTE, porém, é bem mais que um simples filme de um homem só. Em matéria de documentário de dispositivo, é uma completa abertura do realizador aos caprichos do acaso.

Para começar, Gustavo se dispôs a iniciar cada dia de filmagem (foram cinco) em algum lugar ou situação com que tivesse sonhado na noite anterior. A partir dali, seguiria rumos sugeridos pelo que encontrasse no caminho – pessoas, associações de ideias.

Assim, um dia iniciado numa lancheria de Porto Alegre pode levá-lo ao bairro judaico, a dar carona para um estrangeiro e seu Segway enguiçado, conversar com grafiteiros e com um bonequeiro, e por aí afora.  Em outro dia, ele sai à procura de punks mas se deixa seduzir por outros personagens com que vai topando. O fluxo de aventuras vai levá-lo ainda a um exótico parque de dinossauros, a um carnaval de província e finalmente ao Sambódromo carioca. Para ver como esses blocos se conectam, só mesmo seguindo o imponderável na viagem do diretor-personagem.

O acaso atrai o acaso, e Gustavo acaba encontrando outros errantes, como um velhinho que vaga sem rumo pelas ruas, uma turista francesa que também registra o que vê no seu diário e os cães vira-latas que fascinam sua câmera.

Nem tudo parece integrar-se com legitimidade ao discurso do imprevisto, como é o caso da viagem ao Rio. Mas o que importa de verdade é a proposta de um filme cuja pauta vai se construindo no próprio deslocamento e dependendo exclusivamente do que cada encontro vai render diante da câmera. Um gesto cinematográfico simpático e estimulante, que Gustavo passa adiante com suas pequenas câmeras presas no volante do carro ou no próprio corpo. Um olhar errante que volta e meia faz do aleatório uma pequena elegia do catador de imagens à moda de Agnès Varda.

A seguir, dois trailers diferentes: o “contemplativo” e o “tagarelístico”: