De volta a Berlim

Hoje à noite embarco com a Rosane para Berlim. Será uma viagem curta, de apenas dez dias. Nosso destino inicial, porém, serão as cidades de Leipzig, que não conheço, e Dresden, que visitei rapidamente em 1991.

Leipzig é uma das grandes capitais da música clássica, onde viveram Bach, Mendelssohn, Schumann, Wagner, Mahler e Grieg, entre outros. Tem uma variedade arquitetônica que vai do barroco ao modernismo do pós-guerra, passando pelo Art Nouveau e diversos estilos tipicamente alemães.

Dresden, por sua vez, foi quase inteiramente destruída pelas bombas dos aliados na II Guerra e cuidadosamente reconstruída em todo o seu esplendor. Com a reunificação da Alemanha após 1989, ganhou status de uma das cidades mais belas e atraentes da Europa.

Mas é a volta a Berlim que me prende a respiração. Já estive lá por três vezes, sendo a primeira em 1985, quatro anos antes da queda do muro. A segunda foi em 1991 e a terceira, para o Festival de Berlim de 2000. Como não costumo frequentar os grandes festivais internacionais, levei 17 anos para pisar novamente na Kurfürstendamm.

Berlim é uma espécie de radiografia do estado do mundo no século XX: duas guerras mundiais lhe deixaram cicatrizes; os brilhos cabarelísticos da República de Weimar a iluminaram nos anos 1920; o muro a dividiu como um corte na barriga durante 28 anos; a parte ocidental capitaneou o movimento de vida alternativa na Europa dos 70; a derrubada do muro simbolizou o fim de uma era; a reunificação provocou uma febre de reconstrução e modernização.

As marcas deixadas na cidade são o assunto do delicioso livro Berlin Now – The Rise of the City and the Fall of the Wall, de Peter Schneider. Lendo seus capítulos em tom de crônica, entendemos melhor o que tanto se fala de Berlim: ela não tem presente, mas só passado e futuro.

Em clima de viagem no tempo, aproveito para revisitar aqui algumas fotos que fiz em 1985 na Berlim Oriental e em torno do muro.

O terreno baldio que era a hoje movimentada Potsdamer Strasse, em Berlim Ocidental

Na vazia Potsdamer Platz, uma plataforma improvisada servia de mirante para se bisbilhotar Berlim Oriental

O que se via: a terra de ninguém entre um muro e outro, chamada “faixa da morte”

Mais um aspecto do muro em 1985

Minha contribuição para derrubar o muro, quatro anos antes de sua queda

Checkpoint Charlie, posto de controle para cruzar a Cortina de Ferro

Os trabis eram uma das poucas coisas a colorir a paisagem no lado oriental

Controle de trânsito em Berlim Oriental

Agência de turismo em Berlim Oriental oferece viagem à URSS

Agradeço a Ariane Mondo, Katia Chavarry e Andreas Valentim pelas preciosas dicas de viagem. Pretendo postar fotos diariamente no Facebook.

2 comentários sobre “De volta a Berlim

  1. Que viagem deliciosa! Vou esperar as fotos ansiosa. Chego no Rio no dia 24 deste mês. Vamos nos reunir para vocês contarem a viagem
    Beijos e boa viagem!

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