O charme do retrô

Paulo Lima escreve sobre OS JOVENS BAUMANN, programa da Mostra Caleidoscópio do Festival de Brasília

Em tempos de domínio das linguagens digitais no cinema, realizar um filme em plataforma VHS poderia soar como um saudosismo retrô, não fosse a proposta revestida de calculada ousadia.

Pois este é o caso de OS JOVENS BAUMANN, longa-metragem ficcional da diretora Bruna Carvalho Almeida exibido no 51 Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Finalizada este ano, a película conta a história de oito membros da família Baumann, primos entre si, que se reúnem numa casa do interior mineiro, reduto do clã familiar, para passar as férias.

As moças e os rapazes usufruem o “dolce far niente” de um convívio marcado pelo humor e pela amizade: dançam, bebem, cantam e envolvem-se em brincadeiras, numa atmosfera de lazer e descompromisso.

Nada muito diferente do que estamos acostumados a assistir em termos de encontros de adolescentes. A grande diferença é exatamente a textura das imagens, que, por terem sido registradas em VHS, com todos os ruídos típicos dessa mídia analógica, passam de imediato a ideia de que estamos diante de arquivos caseiros filmados por uma única câmera, operada por uma das primas.

Este é o jogo de representação que OS JOVENS BAUMANN propõe. Durante um longo tempo, ficamos nos perguntando: onde tudo isso vai desembocar? Qual o sentido desses arquivos?

Mas é um questionamento impregnado pelo encantamento das encenações dos jovens atores. Há frescor e leveza naquelas interpretações, de tal modo que soam completamente improvisadas, como se se desenvolvessem à revelia de um roteiro.

E as ações dos primos e primas seguem em seu compasso de diversão, até que uma voz feminina em off, sobreposta a algumas informações na tela, esclarece o sentido daqueles arquivos: trata-se de material descoberto na casa, depois do misterioso desaparecimento dos oito primos.

Essa revelação cria nova camada de intriga/ suspense ao filme, que representa, enquanto proposta na forma, um respiro, um contraponto ao universo hegemônico de imagens assépticas em alta definição.

Paulo Lima

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