Documentaristas em primeira pessoa

NÓS, DOCUMENTARISTAS

O Canal Curta! está exibindo às quartas-feiras, no horário de 23h30, a série documental NÓS, DOCUMENTARISTAS. O pronome na primeira pessoa do plural explica-se pelo fato de que é dirigida por Susanna Lira, uma das mais atuantes documentaristas em ação no Brasil.  Quando entrevista seus colegas, mesmo sem aparecer ou ser ouvida na montagem final, ela está, digamos, em família.

Theresa Jessouroun

O programa desta quarta-feira, dia 26, é com Theresa Jessouroun, outra grande dama do documentário brasileiro. No mesmo galpão arruinado da antiga TV Tupi, bonito cenário onde foram gravadas todas as entrevistas, Theresa discorre sobre sua carreira, impulsionada pela admiração por Eduardo Coutinho. Comenta as razões por trás de filmes tão diferentes quanto À Queima-roupa (sobre violência policial), Clarita (o Alzheimer da sua mãe) e Alma de Mulher (travestis cariocas). Theresa é um exemplo de realizadora que se construiu na perseverança, disputando editais e aceitando encomendas que se encaixassem no seu perfil de documentarista social.

A série já está no seu quinto episódio. Foi inaugurada com João Moreira Salles, que, como de hábito (de professor), deu uma bela e sucinta aula de teoria do documentário. Este é outro cineasta influenciado por Coutinho, embora tenha seus próprio métodos de desbravar a linguagem do cinema do real. De Notícias de uma Guerra Particular a No Intenso Agora, o conjunto da obra de Salles foi rapidamente apresentado pelo diretor.

Em NÓS, DOCUMENTARISTAS Susanna trabalha com uma fórmula simples e direta. O entrevistado fala de sua obra e tece considerações sobre o cinema documental, pontuado por cenas de seus filmes. Uma edição bem concatenada cria as sínteses necessárias para cobrir as características principais de cada diretor. Assim foi também com Vladimir Carvalho, outro mestre. Com seu carisma proverbial e dotes de contador nato, Vladimir abordou em seu programa clássicos como O País de São Saruê e Conterrâneos Velhos de Guerra.

Joel Zito Araújo contou como se iniciou no documentário pela via da militância e da participação em movimentos sociais. A partir do fundamental A Negação do Brasil, firmou-se no combate aos estereótipos raciais em várias frentes – na televisão, no turismo sexual, na atuação política. Suas raízes familiares o inspiraram a abraçar essa causa em filmes como Raça e Cinderela, Lobos e um Príncipe Encantado.

Susanna Lira

Susanna Lira não se furtou a entrevistar a si mesma em um dos programas. A autora de Torre das Donzelas, Clara Estrela e Intolerância.doc, entre tantos outros documentários, explicou sua postura feminista e o compromisso com o protagonismo feminino em tudo o que faz. Em poucas palavras, fez o perfil de uma mulher sensível e guerreira, tão apaixonada pelo documentário que abriu esse espaço para seus companheiros de ofício.

A série prossegue em 2019 com programas sobre Aly Muritiba, Lúcia Murat, Beth Formaggini, Cristiano Burlan, Vincent Carelli, Petra Costa, Emilio Domingos e Claudia Priscilla.    

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