Premiadas do Femina

Dois Mundos

Thereza Jessouroun, Anna Azevedo e a inglesa Jocelyn Cammack foram as grandes vencedoras do Femina 2010. Dois Mundos, o belo curta de Thereza sobre surdos que ouvem, ganhou o Grande Prêmio da competição nacional, enquanto The Time of Their Lives, de Jocelyn, ganhava o da competição internacional. Anna Azevedo, com seu curta Geral, levou o prêmio de destaque feminino na internacional e o prêmio especial do júri na nacional.

O júri da competição internacional, do qual participei, jogou com um jogador a menos. A apresentadora Renata Boldrini fez forfait e a decisão ficou nas minhas mãos e da dinamarquesa Elisabeth Jensen, crítica de literatura e diretora do Centro Dinamarquês de Informação sobre Mulheres e Gênero. A discussão foi tranquila e nossas deliberações finais foram por unanimidade.

The Time of Their Lives

Não havia dúvida quanto ao melhor filme da mostra, claramente o longa documental inglês The Time of Their Lives (Os Melhores Momentos), um libelo de amor à vida e à liberdade de pensamento. O filme de Jocelyn Cammack mostra o cotidiano da Mary Feilding Guild, uma casa de repouso para idosos com vida ativa no norte de Londres. Destacam-se Hetty Bower, 102 aninhos, Rose Hacker, 101, e Alison Selford, 87. Ativistas e escritoras, elas falam com paixão de suas ideias; comparecem a marchas de protesto contra a guerra do Iraque; tratam de sexo, amor e morte com mais jovialidade do que eu e você podemos discutir a última zebra da Copa. A diretora sabe onde colocar a câmera e combinar delicadeza e frontalidade na aproximação dessas extraordinárias personagens. O que termina captando é um elogio das ideias como fonte de eterna juventude. Eis um doc para não esquecer.

O prêmio especial do júri da competição internacional foi para o longa de ficção dinamarquês Velsignelsen (A Bênção), de Heidi Maria Faisst. Em pauta, um conflito arquetípico na vida de muitas mulheres, a rejeição da maternidade. A protagonista não consegue se relacionar com o bebê recém-nascido, ao mesmo tempo em que tenta redesenhar um mau relacionamento com sua própria mãe. Tema difícil tratado de maneira sólida, com belas nuances e muito bem traduzido audiovisualmente. Aqui e ali, lembra os irmãos Dardenne.

A melhor diretora foi a sueca Susanna Wallin, também responsável pelo roteiro e a edição do belíssimo curta Marker (Marcador). No extremo norte da Suécia, uma menina perde o pai e precisa ocupar o seu lugar junto a um rebanho de renas. Esse rito de passagem é narrado de maneira poética, concisa e original. 

Geral

Anna Azevedo, com seu empolgante (em som e imagem) Geral, ganhou o prêmio de destaque feminino. Explico: quatro filmes representavam o Brasil na competição internacional. Eu e minha colega jurada compreendemos o curta de Anna, no contexto do festival, como uma perspectiva feminina do que seja a essência do futebol: emoção, fúria, loucura, paixão. É o futebol de costas para o gramado e de frente para os “geraldinos”. Anna filmou no Maracanã em alguns dos últimos jogos a contar com essa plateia ultrapopular, em 2005. O filme resultou hilariante e arrebatador.

Demos ainda uma menção especial ao média de ficção israelense Surrogate (A Suplente), de Tali Shalom-Ezer. É a história do relacionamento entre um paciente psicanalítico e uma profissional de terapia sexual. O filme faz um intrigante cruzamento de gêneros e tem um jogo intenso entre os dois atores centrais. No ano passado, Surrogate foi pivô de uma polêmica no Festival de Edinburgo, quando Ken Loach pediu boicote ao evento porque o governo israelense, acusado de massacrar os palestinos em Gaza, tinha custeado a viagem de Tali Shalom-Ezer. Não sei se, afinal, Loach viu o filme, mas aposto que não desgostaria.     

Leia a lista completa dos premiados do Femina 2010:

Competição internacional

Grande Prêmio Femina – The Time of Their Lives (Os Melhores Momentos)

Prêmio especial do júri – Versignelsen (A Bênção)

Melhor direção – Susanna Wallin por Marker (Marcador)

Destaque feminino – Anna Azevedo por Geral

Menção especial – Surrogate (A Suplente)

Competição nacional

Grande Prêmio Femina – Dois Mundos

Prêmio especial do júri – Geral

Melhor direção – Ana Bárbara Ramos, por Sweet Karolynne

Destaque feminino – Edith Seligmann, personagem do doc Separações, de Andrea Seligmann Silva.

Um comentário sobre “Premiadas do Femina

  1. Pingback: Meus filmes do ano « …rastros de carmattos

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