- As projeções (todas digitais) do Mumbai International Film Festival são excelentes. Mesmo assim, o chato aqui precisou algumas vezes pedir ao operador que corrigisse a proporção da tela. Por sorte, a cabine de projeção é apenas uma mesa no fundo da plateia do Tata Theatre, facilmente acessível. O som fica no limite entre a clareza absoluta e o excesso de decibéis, como é praxe nos cinemas indianos. A pontualidade parece ser uma herança fixa dos colonizadores britânicos.
- Mais difícil do que decifrar o Livro dos Vedas em sânscrito é compreender os critérios de quem programou as sessões da competição internacional. Curtas passam depois de longas e filmes completamente díspares foram reunidos numa mesma sessão. Quando há alguma relação, é desastrosa, como a que exibiu um longa extremamente dramático com sobreviventes do ciclone que devastou uma região da Birmânia em 2008 e, em seguida, uma alegre animação de Hong Kong sobre um casal que é separado por uma enchente, os dois sobrevivem miraculosamente e se reencontram tempos depois por um capricho do destino. A combinação foi, no mínimo, de mau gosto.
- No primeiro dia do festival, um guarda fazia revista de bolsas na entrada do National Center for the Performing Arts. Ao ver minha câmera de vídeo, enfatizou que era estritamente proibido o seu uso naquelas dependências. Estranhei a interdição de câmeras de filmar num festival de cinema, mesmo fora da sala de exibição. Mas acho que logo alguém se tocou e suspendeu qualquer restrição. Eu e o documentarista David Bradbury, membro do júri oficial, não largamos nossas Dvcams.
O Open Forum, onde se dão os seminários e debates matinais (foto à esquerda), leva seu nome a sério demais: é realizado num anfiteatro ao ar livre. O sol da manhã essa época do ano não chega a ser escaldante, mas garantiria um belo bronze caso os participantes não estivessem cobertos de roupas do tornozelo ao pescoço. Não há sequer uma bermuda à vista, nem em convidados estrangeiros.
