As advogadas de Camarões

A Mostra África Hoje termina terça-feira com Sisters in Law, mais um  documentário assinado pela premiada diretora inglesa Kim Longinotto. O filme vai ao ar à 0h15 de terça para quarta.

Realizado numa pequena cidade da República de Camarões, num cenário clássico de famílias muçulmanas de áreas rurais em que a mulher representa pouco mais que um utensílio doméstico, Sisters in Law faz um elogio discreto da atuação de uma certa Associação de Mulheres Advogadas. A protagonista do documentário é uma dessas advogadas. Ela defende esposas agredidas ou forçadas ao sexo por maridos brutais, meninas estupradas ou maltratadas por parentes, mulheres vendidas pelos pais a homens que não amam.

O método de Kim Longinotto é sempre eficaz: Quando trabalha em culturas que não domina, ela se associa a uma cineasta nativa, no caso a camaronesa Florence Aysi. Pacientemente, ela consegue obter acesso às salas de depoimento e às cortes judiciais, conquistar a confiança das mulheres e gravar os momentos decisivos dos processos.

Podemos nos perguntar até que ponto essa presença tão próxima e frequente da câmera e da pequena equipe do filme influenciará na performance e nos vereditos de advogados e juízes. O fato é que Sisters in Law ajuda a produzir e repercutir casos exemplares de empoderamento da mulher em contexto social especialmente difícil.

A ambiguidade do título é proposital: “sisters in law” pode se referir a vínculos de parentesco, significando “cunhadas”, mas também pode simbolizar relações de solidariedade perante a lei. 

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