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Sérgio Santeiro, curta-metragista histórico e professor de cinema da UFF, foi retratado por Miguel Freire em doc.Santeiro. O filme passa hoje (terça) às 19h no Cine Maison (Rio), em sessão seguida de debate com personagem e diretor.

É no MAM, seu berço cinematográfico, que Santeiro aparece pela primeira vez para iniciar um depoimento biográfico que vai levá-lo também ao seu habitat niteroiense, onde mora e trabalha. Lá está ele com sua cabeleira leonina, unhas enormes, camisas ultracoloridas, calças largas, sandálias havaianas e uma disposição sem fim para defender o que entende como um cinema legitimamente brasileiro e independente. Junto com uma espécie de balanço de vida, Santeiro discorre sobre seus filmes – desde o primeiro, Paixão, de 1966 -, a importância dos festivais de cinema amador dos ano 1960, a fundação da Associação Brasileira de Documentaristas e outros assuntos.

As referências podem soar idiossincráticas (“Somos descendentes, mas não continuadores do Cinema Novo”; “O futuro do audiovisual converge para a televisão”), mas é inegável a coerência com que ele expõe a verve inconformista que já o colocou no centro de grandes discussões do cinema brasileiro.

Ouvir de um professor universitário que “cinema não se aprende na escola” é uma senha para o pensamento de Santeiro a respeito do ofício. Quanto à sua vida pessoal, entreaberta no filme, nota-se um misto de convencionalismo familiar e misantropia no geral. Santeiro parece muito firme ao supor o que os outros acham dele, sobretudo pela fama de polêmico e intransigente. Chega a admitir que um neto de sete anos é “o único com quem eu me comunico facilmente no mundo”.

Miguel Freire constrói o filme com delicadeza, conduzindo seu personagem aos locais escolhidos e deixando-o à vontade para falar. Inclui trechos de seus curtas e nos brinda com um retrato íntimo que precisava mesmo ser revelado. Santeiro é um pequeno mito do cinema brasileiro.