RHEINGOLD – O ROUBO DO SUCESSO
Sucesso de bilheteria na Alemanha, Rheingold – O Roubo do Sucesso (Rheingold) tem a marca registrada do diretor turco-alemão Fatih Akin: uma pegada narrativa forte que não deixa muito espaço para sutilezas, perícia nas cenas de brutalidade e interesse por retratar a vida de imigrantes na Alemanha. Quem viu Contra a Parede, Do Outro Lado e Em Pedaços, todos bem superiores, sabe disso.
Nesse novo filme, baseando-se numa autobiografia, ele descreve a trajetória do rapper e mega-empresário Giwar Hajabi, conhecido como Xatar. Nascido no Curdistão iraniano, filho de um maestro e compositor clássico, ele veio ao mundo em meio à guerrilha curda contra o regime dos aiatolás. A fuga da família para o Iraque e depois para a Alemanha e a Holanda foi arrastando o rapaz para longe da música e perto do crime.
É uma história difícil de contar a não ser por uma sucessão de episódios que não se emendam muito bem e acabam se servindo de estereótipos. O mundo dos imigrantes orientais na Europa é visto quase que somente pela ótica da contravenção e das relações mafiosas. Depois de se transformar magicamente de aprendiz de piano em fodão do bairro, Giwar se envolve cada vez mais com o tráfico de drogas e, para saldar um grande prejuízo, investe no roubo de uma carga de ouro. O problema é que ele e seu grupo são quase tão desastrados quanto o assaltante bem trapalhão de Woody Allen.
Giwar vai parar numa prisão síria, onde aliás o filme começa. Dali mesmo ele grava seus raps, tal como o brasileiro Dexter decolou em sua carreira enquanto presidiário. Já como Xatar, comanda uma pequena gravadora, origem de um império atual que (isso não está no filme) engloba bares, marca de cigarro, design de joias e roupas, além de vários selos musicais.
Fatih Akin combina, um tanto desajeitadamente, os signos rascantes do gangsta rap com o mito alemão do Ouro do Reno, motivo de uma ópera de Wagner e tradução da expressão Rheingold. Na ópera, narra-se o roubo do ouro depositado no fundo do rio Reno por Alberich, o guardião do tesouro dos Nibelungos que tem a força de doze homens.
O filme tem o inconveniente de tratar de um personagem sem carisma e cuja história não é inspiradora sob nenhum aspecto. Xatar tem sido acusado de incitar a violência entre jovens com suas composições. Independente disso, Rheingold tem sua força potencial comprometida por um roteiro descosido e cheio de lugares comuns.
>> Rheingold – O Roubo do Sucesso está nos cinemas.

