As assimetrias do amor

TRÊS AMIGAS

Estava com saudade das peripécias amorosas de Eric Rohmer? Sentia falta de mulheres e casais envolvidos em rede de afetos cheia de curvas e surpresas? Andava à procura de gente que sofre e dessofre dialogando sem parar? Pois sua tristeza terminou. Está em cartaz Três Amigas (Trois Amies), de Emmanuel Mouret.

As moças do título estão entrando na meia idade, hora em que as escolhas da juventude são postas à prova. Joan (India Hair) descobre que não ama mais o marido (o ótimo Vincent Macaigne) e sofre um trauma ao abandoná-lo. Sua melhor amiga Alice (Camille Cottin) acha muito natural não ser apaixonada pelo companheiro (Grégoire Ludig), com quem vive muito bem. O trio se completa com a exuberante Rebecca (Sara Forestier), que mantém relação com um homem casado.

Para nós espectadores, o inesperado começa já na identidade do narrador que introduz a história com pegada metalinguística. E prossegue com as descobertas sobre os parceiros e a conduta de cada personagem. Uma trama relativamente complexa se arma à base de manipulações, mentiras recíprocas e equívocos afetivos, mas também de estima e abdicação no frigir dos ovos.

No fundo, o filme trata das assimetrias do amor, que nem sempre percorre os caminhos previsíveis, nem se confunde exatamente com a paixão. Acena, ainda, para o potencial da amizade quando não envolve julgamentos.

A simpatia e eficiência do elenco mantêm a chama acesa durante um  tempo de projeção que, não fosse isso, poderia ser longo demais. Ok, não precisava a corporificação de um fantasma para entendermos melhor a inaptidão de uma das amigas para o amor. Mas isso é um problema menor num filme cativante.

>> Três Amigas está nos cinemas.

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