(Tatarak)
Fic espelho. Um Andrzej Wajda inesperado: peça de câmara em vez dos épicos históricos e políticos que caracterizam sua obra. Um filme adiado no passado em função da doença de Edward Klosinski, marido da atriz Krystyna Janda e diretor de fotografia de vários filmes de Wajda. Após a morte de Edward, o filme enfim se realiza, mas como uma narrativa em espelho. Krystyna se divide em duas. Como ela mesma, relembra os últimos momentos do marido em monólogos dolorosos. Como a ficccional Martha, vive uma mulher com doença terminal e em luto pela perda dos filhos num acidente. O espectro da morte se desdobra, alimentando a ficção como a realidade. O filme rompe diversas vezes o espelho, numa experiência metalinguística que denota jovialidade por parte do veterano diretor. O clima é intenso e de melancólica beleza, assim como as paisagens do recanto polonês onde se passa a ação. ♦♦♦