Meus encontros com Vanessa

Vanessa Redgrave e Franco Nero. Foto de Bauer Griffin

Romeu e Julieta já se prestaram a quase tudo no cinema. Faltava talvez explorar a romaria turística em torno da casa de Verona onde teria morado a Julieta de Shakespeare. As pessoas não se importam que tudo seja mera ficção: vão lá, tiram fotos no “famoso” balcão, deixam cartas para Julieta (ultimamente podem enviar e-mails num computador dentro da casa), grafitam as paredes, suspiram.

Esse é o mote de Cartas para Julieta, a simpática comédia romântica que, embora pareça planejada por um computador, não deixa de entreter e enternecer, principalmente pelo carisma do elenco. Nele se destaca, obviamente, a figura “maior que a vida” de Vanessa Redgrave. Seu encontro com Franco Nero, adiado até o quarto final do filme, reverbera o reencontro dos dois atores. Franco e Vanessa tiveram um romance e um filho nos anos 1960, separaram-se e voltaram a se reunir em 2006, com casamento e tudo.    

Minha foto de Vanessa

Por razões que o cinema desconhece, o filme me fez lembrar os dois breves encontros que tive com Vanessa Redgrave. O primeiro foi em 1987, no Festival de Moscou, quando fiz a foto à direita e a entrevistei para o Jornal do Brasil (leia aqui). Era o festival da glasnost e da perestroika. O clima em Moscou era de liberalização e politização. Vanessa militava pela causa palestina, pela perestroika, pelo fim do apartheid e mais um monte de causas. Eu pedi a entrevista no recinto da Domkino, a sede do sindicato dos cineastas soviéticos. Ela concordou imediatamente. Pediu que me sentasse ao seu lado numa escada interna do prédio, e ali conversamos. Fez questão de repartir comigo um sanduíche de queijo e presunto. É o tipo da coisa que a gente não esquece. 

O segundo encontro foi em Londres, em 2002, quando comentei filmes brasileiros numa mostra promovida pela embaixada brasileira. Avistei Vanessa durante uma caminhada pela área de Covent Garden. Ela passeava com uma neta, despreocupadamente. Aproximei-me para entregar-lhe um folheto e convidá-la para a mostra. Ela reagiu com aquele misto de susto e encantamento típico dos ingleses ao serem abordados por um desconhecido. Não recordei nosso encontro anterior. Preferi deixar os dois fatos separados como fait divers que são. Mas, no íntimo, celebrei a segunda oportunidade de trocar palavras com ela. Depois a acompanhei por um tempo, de longe, deleitando-me com mais uma visão daquela mulher admirável. 

 

3 comentários sobre “Meus encontros com Vanessa

    • Bonita, sem dúvida, mas o que mais impressiona é a força do caráter, além de uma simplicidade rara para estrelas do seu porte.

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