Cogumelos podem salvar o planeta

Imagem de "2012 - Tempo de Mudança"

Micologista, escritor maia, designer de permacultura, etnofarmacologista, futurista, cientista noético… Talvez você nunca tenha visto tantas designações profissionais incomuns nos créditos de um documentário. Estes e muitos outros são ouvidos em 2012 – Tempo de Mudança como arautos de uma nova consciência em termos de comportamento social, ecologia e sustentabilidade.

O âncora do projeto é o jornalista americano Daniel Pinchbeck, autor do best-seller 2012: O Ano da Profecia Maia. O filme não é uma adaptação do livro, mas uma nova investigação de Pinchbeck junto à comunidade que busca atalhos de sobrevivência para o planeta. A tese de Pinchbeck é que a crise ensina, basta querer aprender. A badalada profecia maia sobre o apocalipse em 2012 seria na verdade a antevisão do fim de um ciclo e o começo de outro. Daí a mescla de catastrofismo e hesitante otimismo que ele recolhe em suas conversas. Pinchbeck quer anunciar o possível advento de uma forma avançada de inteligência que incluiria o alternativo,  o colaborativo e… o aditivo.

Sim, porque a sua tomada de consciência começou com um desbunde aos 30 anos e uma imersão no xamanismo e no psicodelismo. A saída para os problemas globais passaria, segundo o filme, por mudanças de paradigma pessoais, como se o estado do mundo fosse resultado da mera soma de resultados individuais. Para isso coletam-se testemunhos particulares de artistas-ativistas. Sting narra em detalhes sua experiência com ayauhasca no Brasil; Gilberto Gil conta como a ioga o transformou física e espiritualmente; David Lynch faz mais uma defesa de sua meditação transcendental; Ellen Page (Juno) confessa que se sentiu “muuuuito bem” mexendo em cocô de cabras numa fazenda do Oregon.

Toda a retórica do filme se equilibra entre os bons propósitos e a ingenuidade, uma vez que se mantém afastada da política. A estética é a da conversa entremeada por clipes de variadas procedências e formatos, como se consagrou nesse tipo de doc-grandes-questões. Quem dirige 2012 – Tempo de Mudança (conheça o site do filme) é João Amorim, o outro filho cineasta do ex-ministro Celso Amorim. Ele vem da animação e é também responsável pelas abundantes vinhetas animadas do filme, todas aliás bastante “animadas” por um visual psicodélico. A convergência de toda argumentação, no fim das contas, para uma espécie de utopia neo-hippie dá um caráter peculiar – a meu ver, limitativo e comprometedor – a esse ensaio desejoso sobre a renovação do mundo.

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