Cartas portuguesas

Estreia amanhã (sexta) no Instituto Moreira Salles o interessante documentário O Manuscrito Perdido, de José Barahona. O tema é objeto também de um livro homônimo, lançado recentemente pela editor Tordesilhas. No IMS, a programação do filme se reveza com um lote de curtas de jovens portugueses exibidos há pouco num festival em Nova York. Confira os detalhes no site do instituto.

Abaixo, trago de volta um pequeno texto que escrevi sobre O Manuscrito Perdido por ocasião da 15ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico, na qual o filme ganhou o Prêmio TV Brasil de melhor longa-metragem:

A correspondência está no cerne desse doc em co-produção luso-brasileira, exibido na noite de abertura da mostra. Tudo começou quando José Eduardo Agualusa publicou as cartas de Fradique Mendes, poeta e aventureiro português que andou pelo Brasil no século XIX e libertou seus escravos antes da abolição, contestando os padrões da época. O documentarista português José Barahona veio recentemente ao Brasil em busca de um certo manuscrito deixado por Fradique. Ele narra sua viagem em forma de carta a Agualusa, ao mesmo tempo em que resgata trechos da Carta de Pero Vaz de Caminha. De certa maneira, Barahona incorpora o viajante português de sempre, mas agora interessado em procurar aspectos atuais da herança colonizadora de seus conterrâneos, especialmente no capítulo das contradições.

O que ele recolhe, num trajeto pelo interior da Bahia e no Rio de Janeiro, é um pequeno tratado de antropologia popular. Feirantes, monges, índios, sem-terras dão sua versão sobre a História e a atualidade. Muita coisa ali é mais novidade para ouvidos portugueses do que para os nossos, mas ainda assim alguns personagens se destacam. Como Noêmia, uma sem-terra feliz e vaidosa que parece ter saído de um dos melhores momentos de Eduardo Coutinho. A busca do manuscrito é pouco mais que um efeito retórico. Mais valem as reflexões do caminho, sejam as de Barahona, sejam as de alguns de seus interlocutores.

Veja o trailer: 

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