Mario – câmeras, pincéis

Amanhã (segunda, 16/12), entre 17h30 e 21h30, será lançado no Parque Lage o livro Mario Carneiro – Trânsitos. Organizado pela artista plástica, socióloga e pesquisadora Fabiana Éboli Santos, o volume contém textos de Fabiana, do crítico de arte Adolfo Montejo Navas e meu, além de filmografia e catalogação das obras plásticas de Mario (1930-2007), com uma vasta seleção de reproduções de gravuras, pinturas, desenhos e fotogramas de filmes. Como diz o título, a publicação pretende analisar as aproximações entre a produção de Mario nas artes visuais e no cinema.

Para isso, eu e Adolfo nos debruçamos sobre os trabalhos nos dois suportes, a fim de encontrar nexos e diálogos que dessem conta dessa completa paixão de Mario Carneiro pelas imagens. Se é bastante reverenciado como um dos grandes forjadores de uma imagem brasileira no cinema, Mario nunca teve o reconhecimento merecido no campo das artes plásticas. Curiosamente, ele era mais festejado como “artista” pelo seu trabalho atrás das câmeras do que no uso dos pincéis e lápis. O livro tem tudo para provocar a grande redescoberta do Mario artista visual.

No Salão Nobre do Parque Lage, a partir de 17h30, Fabiana, Adolfo e eu faremos um bate-papo sobre o processo de preparação do livro e nossa compreensão do legado de Mario. O livro será distribuído a quem confirmar presença através do email reservarlivro.rnct@gmail.com. Em seguida, será enviado a bibliotecas e instituições culturais de todo o país, além de ficar disponível para download gratuito através do site http://www.livromctransitos.com.br.  

Segue abaixo um pequeno trecho do meu texto, O Pintor com a Câmera:

A entrada do filme colorido no trabalho profissional de Mario Carneiro se deu gradativamente, a partir de fins da década de 1960. A cor trouxe outras questões para o diretor de fotografia, sendo a principal delas a troca dos paralelos com a gravura pelas aproximações com a pintura. Mario tinha como poucos a consciência de que alguns princípios da pintura se aplicavam ao cinema. Ele mesmo citava como exemplos a procura de uma cor dominante e o jogo complementar de cores frias e quentes. Conhecia, entre outras coisas, a dificuldade para se trabalhar com o verde abundante das matas brasileiras e os excessos provocados pelo sol. Via na cor não um elemento a ser espetacularizado, mas a ser domado, tratado ao mesmo tempo com expressividade e rigor.

Por essas e outras razões, o fotógrafo-artista era a primeira escolha de diretores interessados em bem captar a paisagem e a luz brasileiras, ou em lidar com assuntos diretamente relacionados às artes visuais. Mario virou uma espécie de salvo-conduto para cineastas incursionarem em campos de maior exigência no que diz respeito à plasticidade. Seu “olho criado”, como costumava dizer, adquiria um valor de mercado que sua obra plástica demorava a conquistar.

A partir dos anos 1970, Mario vai constituir certas parcerias importantes no seu itinerário. À medida que concentra mais suas atenções no desenho da iluminação – com os “mapas” ou “plantas” de luz que evocavam sua relação com a arquitetura –, o manuseio da câmera passa a ficar com cinegrafistas experientes. Jaime Schwartz e Dib Lutfi serão os mais frequentes, que formarão com Mario duplas de importância histórica. Em relação aos diretores, três parcerias vão se destacar pelo restante de sua filmografia: com Paulo César Saraceni, que já vinha do preto e branco, ele vai desenvolver seu lado mais experimental; com Paulo Thiago, vai exercitar seus dotes acadêmicos; e com Joel Pizzini, vai trabalhar os requintes do diálogo entre pintura e cinema. 

Um comentário sobre “Mario – câmeras, pincéis

  1. Querido, s vi a msg agora. Mas sabia do lanamento. E esqueci. Mais um esquecimento, uma perda…gostava de ter ido.Aproveito para desejar a vcs mais um ano de muitas viagens e realizaes. Sade e afeto em doses….na medida desejada. bj, valria

    Date: Sun, 15 Dec 2013 18:53:28 +0000 To: valvillela@hotmail.com

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