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O documentário Eadweard Muybridge – Zoopraxógrafo, que vi ontem no Instituto Moreira Salles como parte da mostra “Hollywood e Além: O Cinema Investigativo de Thom Andersen”, é uma análise primorosa do trabalho do pioneiro da fotografia sequencial. O filme revelou detalhes da vida e da obra de Muybridge que me deixaram boquiaberto. Por exemplo:

– Muybridge foi fotógrafo paisagístico e etnográfico antes de se dedicar ao estudo de homens e animais em movimento.

– Os homens e mulheres que aparecem, frequentemente nus, em suas fotos, eram atletas, professores de educação física, modelos fotográficos e prostitutas. Ele dizia fazer questão de que fossem pessoas de “todas as classes sociais”.

– Ele também se fotografava sem roupa, já em idade avançada. Dizia-se um “ex-atleta”.

– Publicava os nomes de cavalos, cães e outros animais, mas os homens e mulheres só eram identificados por números.

– Na bateria de câmeras que montava para fotografar animais em movimento, muitas vezes eram os cavalos que acionavam o disparador de cada câmera ao passarem por um fio esticado no caminho. Assim, os cavalos de Muybridge podem ser considerados os primeiros autores de selfies da história.

– O uso de várias câmeras para fotografar corpos em sequência ou de vários ângulos em simultaneidade seria retomado mais de um século depois por Matrix, Lars Von Trier e diversos videoartistas contemporâneos (Thom Andersen não diz isso, mas faz pensar).

– Muybridge dizia-se um cientista, não um artista. Mas a neutralidade de suas poses de nus vez por outra dá lugar a um perfume de provocação. Provocação gay. Cenas de homens nus lutando no chão ou a belíssima sequência em que duas mulheres, igualmente despidas, se aproximam, dão as mãos e se beijam na boca evidenciam uma imaginação que ia além do mero interesse científico.

– Aos 40 e poucos anos, o grande fotógrafo descobriu que sua mulher o traía com um amante. Não se fez de rogado. Apanhou um revólver e matou o rival à queima-roupa. Posteriormente, foi absolvido por “homicídio justificável”.