Sacarose em excesso

CAFÉ

Primeira coprodução oficial envolvendo Itália e China, CAFÉ é mais um filme de estrutura multiplot, como Primavera em Casablanca. Mas em vez de explorar uma só realidade, como o longa marroquino, ambienta seus personagens em três países. Pretende tratar de uma questão global, usando como dispositivo o denominador comum do café.

Na Bélgica, agitada por conflitos trabalhistas, um jovem neofascista participa de saques nas ruas e se apossa de um bule raro da loja de um imigrante árabe, que tenta reavê-lo. Em Pequim, um ambicioso executivo prepara seu casamento com a filha do patrão e renega suas origens nas plantações de café do interior da China. Na Itália, um operário de Trieste resolve arriscar o roubo de um carregamento de café hipervalorizado no mercado gourmet.

A conexão entre as histórias se mostra fragilíssima e forçada, mas isso está longe de ser o maior problema do filme de Cristiano Bortone. O propósito de construir um feel good movie a partir de elementos altamente dramáticos leva a um excesso de sacarose difícil de engolir. As soluções para cada módulo passam por clichês de tomada de consciência e regeneração capazes de levar um diabético à emergência hospitalar.

A lógica dos filmes multiplot requer, ao mesmo tempo, síntese, potência e noção de conjunto. O pouco que disso se vêm em Primavera em Casablanca desaparece quase completamente em CAFÉ.

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