Bixiga desvairada

HORÁCIO

Uma farsa teatral, uma rumba cinematográfica, uma comédia de humor negro – são muitas as aproximações que se pode fazer a HORÁCIO, filme de Mathias Mangin em cartaz esta semana. Meu amigo Daniel Schenker, especialista em teatro e cinema, identificou os vínculos com o Teatro Oficina, seja na presença de Zé Celso Martinez Correa e vários atores “oficineiros” no elenco, seja na ambientação no Bixiga, onde o Oficina tem sua sede. Mais ainda, Daniel apontou diálogos com Hamlet, montagem célebre de Zé Celso, através dos personagens Horácio e Petula, que evoca Ofélia.

À parte todos esses nexos, HORÁCIO é uma maluquice com pé e cabeça. Numa São Paulo vista sempre do alto, Horácio (Zé Celso) é um velho contrabandista de cigarros que se esconde da polícia, algema a filha (Maria Luísa Mendonça) na cama, veste-se com as roupas da mulher morta, rói-se de amores pelo capanga (Marcelo Drummond) e é chantageado por um malandro otário (Ricardo Bittencourt).

Apesar da bizarrice que a tudo comanda, essa trama se desenvolve com relativa ordem, cruzando relações divertidas entre os vários personagens. A atuação de Zé Celso é um deleite à parte, tanto no seu típico gestual dionisíaco quanto na forma como lança no ar suas falas. Maria Luísa Mendonça (foto à esquerda) exala o habitual apetite por personagens grotescos e é responsável por momentos impagáveis. A cenografia barroca acrescenta uma dose a mais de desvario a um filme irregular, mas bastante curioso.

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